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Paola Machado

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Hormônios e hábitos: como isso interfere no treino de homens e mulheres

Paola Machado

07/07/2018 04h00

Crédito: iStock

Alguns pontos diferem os homens das mulheres, como fatores emocionais, racionais e até mesmo sexuais. Basta olhar para os corpos para notar as diferenças, não é mesmo?

A maioria dos valores quantitativos das mulheres, como força muscular, ventilação muscular e débito cardíaco, são relacionados diretamente ao fortalecimento e ganho de massa muscular, e diferem de dois terços até três quartos dos valores dos homens.

Por outro lado, a contração da musculatura de ambos é semelhante. Isto quer dizer que os homens conseguem ter um maior volume muscular e um melhor desempenho em provas relacionadas a força e explosão. Entretanto, as mulheres destacam-se em provas longas ou, por exemplo, a travessia do Canal da Mancha, em que é necessário uma maior disponibilidade de gordura adicional para energia a longo prazo e, em provas aquáticas, a gordura ajuda como isolante térmico e flutuabilidade.

A maior influência destas diferenças está relacionada diretamente aos hormônios sexuais: testosterona e estrogênio. Isto faz com que ocorra discrepância entre o desempenho atlético.

A testosterona é liberada, em homens, pelos testículos, exercendo um efeito anabólico e fazendo com que ocorra um aumento do depósito de proteína em todo o corpo, principalmente nos músculos. Vale enfatizar que, até homens que participam de pouca atividade física, mas têm uma grande quantidade de testosterona, apresentarão uma maior quantidade de massa muscular, cerca de 40% a mais quando comparados a mulheres.

Já o estrogênio, nas mulheres, aumenta a deposição de gorduras. Mulheres não-atletas têm cerca de 27% de gordura na sua composição, já os homens não-atletas têm cerca de 15%. Este maior percentual de gorduras em mulheres aumenta a dificuldade em provas que exigem um maior desempenho atlético, uma maior velocidade e força.

Também devemos relacionar estes hormônios a fatores comportamentais. A testosterona faz com que os homens fiquem mais agressivos em comparação ao estrogênio que deixam as mulheres mais “suaves''. O que podemos também enfatizar é que a agressividade ajuda o homem a impulsioná-lo ao esforço máximo.

E por que as mulheres vivem mais tempo que os homens?

De acordo com dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a expectativa de vida de mulheres cresceu, em 2013, para 78 anos, e a de homens elevou-se para uma média de 71 anos.

A expectativa de vida, a cada ano que passa, cresce mais, porém, os dados mostram que as mulheres vivem, em sua maioria estatística, mais anos que os homens. Mas por que isso acontece?

Dados publicados pela Marianne Legato, professora emérita de medicina clínica na Columbia University College of Physicians and Surgeons e fundadora e diretora do Foundation for Gender-Specific Medicine, os homens estão biologicamente e socialmente em desvantagem quando comparados as mulheres até o seu último dia de vida.

Quer saber por quê???

– As mulheres desenvolvem-se mais rápido no útero

Durante a gestação, as meninas desenvolvem-se mais rápido no útero. Assim, os meninos podem ter mais risco se nascerem prematuros devido ao pulmão subdesenvolvido ou o desenvolvimento mais lendo do cérebro. No momento que os pequenos bebês meninos nascem, eles são mais propensos a ter uma infecção do que as bebês meninas.

– As mulheres arriscam-se menos

As lesões não intencionais são a terceira causa de morte em homens e a sexta em mulheres. Podemos colocar a culta no nosso corpo, já que os lobos frontais de homens, que lidam com a responsabilidade e com o risco, desenvolvem-se mais lentamente do que em mulheres.

Por isso, muitos homens arriscam-se mais, mesmo sem dar tempo de parar e pensar.

– As mulheres podem ter algum tipo de doença cardíaca quando mais velha

A doença cardíaca é a principal causa de morte de homens e mulheres, mas os homens são mais propensos a desenvolvê-las e, se não supervisionada, de forma fatal, principalmente dos 30 aos 40 anos. As mulheres, por outro lado, geralmente desenvolvem doenças cardíacas 10 anos mais tarde do que os homens. Elas estão protegidas desta patologia até a menopausa, uma vez que seus corpos despejam estrogênio, que ajudam a manter as artérias fortes e flexíveis.

– As mulheres têm as redes sociais mais fortes

Os amigos são um bom remédio! As pessoas com fortes conexões sociais têm uma chance 50% menor de morrer do que aquelas com poucos laços sociais, de acordo com um estudo de 2010 da Universidade Brigham Young. A maioria dos homens tendem a manter o seu estresse e preocupações guardadas para eles mesmos, enquanto as mulheres tendem a chegar e desabafar com outras pessoas. A única exceção apontada pelo estudo são os homens casados​​, que costumam conversar com sua companheira.

– As mulheres cuidam mais da sua saúde

Os homens são 24% menos propensos do que as mulheres a ter visitado um médico durante o ano e são 22% mais propensos a ter os níveis de colesterol elevados, de acordo com a Agência de Investigação de Qualidade e Saúde. Na verdade mais de um quarto (28%) dos homens não vão regularmente a um médico.

Alguns pesquisadores e estudiosos até chamam isto de “Síndrome de John Wayne'', pois os homens, muitas vezes, negam a doença, minimizam os sintomas, pois não querem encontrar algo de errado em suas vidas. Daí, deixam para lá, não se cuidam e pode ser tarde demais.

Também acho legal observarmos estes dados, pois podemos chegar a algumas conclusões:

– Parar e pensar antes de realizar qualquer atividade perigosa.

– Colocar a razão antes da coragem e nunca levar a sério competições que não levarão a nada. Um exemplo que vejo muito são homens que chegam na academia e ficam comparando quem pega mais supino. Daí não aguentam e lesionam-se a troco de nada.

– Desabafar mais. Se não for com um amigo, que seja com sua companheira(o) ou mesmo com uma psicóloga que é ótima para este fim.

– Cuide da sua saúde anualmente, procure ir ao médico quando sentir-se desconfortável ou com algum incômodo e cuide da sua saúde com alimentação e exercício para aumentar ainda mais sua Expectativa de Vida.

Fonte: Guyton & Hall – Tratado de Fisiologia Médica.

Sobre a autora

Paola Machado é fisiologista do exercício, formada em educação física modalidade em saúde pela UNIFESP (Universidade Federal de São Paulo), mestre em ciências da saúde (foco em fisiologia do exercício e imunologia) e doutoranda em nutrição pela UNIFESP. É autora do Livro Kilorias - Faça do #projetoverão seu estilo de vida (Editora Benvirá). Atualmente, atua como pesquisadora, desenvolvendo trabalhos científicos sobre obesidade, e tem um canal de desafios (30 Dias com Paola Machado) onde testa a teoria na prática. Também é fundadora do aplicativo aplicativo 12 semanas. CREF: 080213-G | SP

Sobre a coluna

Aqui eu compartilharei conteúdo sobre exercício e alimentação para ajudar você a encontrar o caminho para um estilo de vida mais saudável. Os textos são cientificamente embasados e selecionados da melhor forma possível, sempre para auxiliar no seu bem-estar. Mas, lembre-se: a informação profissional é só o primeiro passo da sua nova jornada. O restante do percurso depende 100% de você e da sua motivação para alcançar seu objetivo.