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Paola Machado

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Como o exercício pode ajudar e é importante para quem tem HIV

Paola Machado

04/11/2018 04h00

Crédito: iStock

A Aids é uma doença retroviral caracterizada por imunossupressão –redução da atividade do sistema de defesa do organismo — profunda, que leva a infecções oportunistas, neoplasias (câncer) secundárias e manifestações neurológicas. É causada pelo HIV, um retrovírus com genoma RNA pertencente ao grupo dos retrovírus citopáticos não oncogênicos.

Além de intervenções medicamentosas orientadas por um infectologista, a atividade física regular é um instrumento importante para a qualidade de vida de pessoas com Aids. O exercício tem sido associado à melhora do sistema imunológico, destacando-se como um dos principais instrumentos de intervenção profilática e terapêutica para muitas doenças.

Como deve ser o treino

Estudos mostram que a atividade física vigorosa, que ultrapassa 1 hora e 15 minutos de duração, deprime o sistema imune –de qualquer pessoa, portador de HIV ou não –, ficando o indivíduo apto a infecções no decorrer de 72 horas após a realização deste. Por esse motivo, essa não é a melhor opção de exercício para quem busca saúde. Já atividades leves e moderadas contribuem para a otimização do sistema imunológico e melhoram a aptidão física, a condição cardiorrespiratória, a flexibilidade, a força e a resistência muscular. Portanto, o ideal é fazer treinos leves, moderados ou intensos de 20 a 60 minutos, ao menos três vezes por semana.

As atividades mais leves auxiliam em um menor limiar ventilatório e menor consumo de oxigênio máximo (VO2 máximo); havendo melhora nestas variáveis quando praticadas atividades leves ou moderadas, ocorrendo, assim, redução da frequência cardíaca em repouso.

Pessoas infectadas com HIV preservam a capacidade em responder aos estímulos induzidos por programa de exercícios aeróbios, melhorando as variáveis envolvidas com os fatores centrais e periféricos de VO2 máximo.

As complicações associadas a infecções pelo HIV diminuem a tolerância ao esforço que pode limitar o desempenho das atividades de vida diária (AVD's). A preservação de valores funcionais mínimos de limiar anaeróbio, carga de trabalho e VO2 máximo reduz os efeitos deletérios dos quadros de infecção oportunista e possibilitando o retorno mais rápido às funções diárias normais no período pós-supressão imunológica.

O exercício incrementa o VO2 máximo, os níveis de hemoglobina, assim como melhora relevantes domínios relacionados à qualidade de vida destes indivíduos, que parecem representar importantes indicadores em que a responsividade aos efeitos induzidos por um programa de exercícios possui maior nível de sensibilidade.

Corpo e mente fortes

A preservação da massa muscular, proporcionada especialmente por treinos de força, como musculação, é de fundamental importância para a manutenção de reservas energéticas, o que auxilia na garantia das funções vitais. Também contribui para o aumento da taxa metabólica de repouso (TMR), ou seja, eleva a quantidade de calorias que o organismo gasta quando não está fazendo atividade física. Isso ajuda a evitar o acúmulo de gordura corporal, que ocorre pela inatividade e isolamento social e repercute negativamente nos índices fisiológicos, podendo levar a doenças cardiovasculares.

O aumento ou manutenção da massa muscular ainda tem grande relevância ao indivíduo portador do HIV, que tem como consequência da evolução da doença a fraqueza e incapacidade.

Além disso, com a atividade física ocorre a melhora do quadro psicológico, reduzindo os níveis de estresse, ansiedade e depressão. Ao se sentir melhor fisicamente, há um aumento da autoestima da pessoa, o que é importante para a boa qualidade de vida e melhora na sociabilização.

Assim, a atividade física tem que ser preferencialmente moderada, com frequência de pelo menos três vezes por semana, duração de 20 a 60 minutos, sendo que exercícios combinados (aeróbio e musculação) são os mais recomendados.

Sempre deve ser considerado na prescrição do treino exames bioquímicos do sangue, avaliação física, ingestão alimentar e aptidão física. Procure um profissional qualificado para orientar o paciente da melhor forma possível.

Referências:
– Raso, V.; Casseb, J. S. do R.; Duarte, A. J. da S; et al. Uma breve revisão sobre exercício físico e HIV/AIDS. Rev. Bras. Ci. e Mov., Vol. 15, no 4, 2007.
– Eidam, C. L.; Lopes, A. S.; Oliveira, O. V. Prescrição de exercícios físicos para portadores do vírus HIV. Ver. Bras. Ci. E Mov., Vol. 13, no 2, 2005.
– Cotran, R. S.; Kumar, V.; Collins, T. Robbins – Patologia estrutural e funcional. 6ª ed. Rio de Janeiro. Guanabara Koogan.

Sobre a autora

Paola Machado é fisiologista do exercício, formada em educação física modalidade em saúde pela UNIFESP (Universidade Federal de São Paulo), mestre em ciências da saúde (foco em fisiologia do exercício e imunologia) e doutoranda em nutrição pela UNIFESP. É autora do Livro Kilorias - Faça do #projetoverão seu estilo de vida (Editora Benvirá). Atualmente, atua como pesquisadora, desenvolvendo trabalhos científicos sobre obesidade, e tem um canal de desafios (30 Dias com Paola Machado) onde testa a teoria na prática. Também é fundadora do aplicativo aplicativo 12 semanas. CREF: 080213-G | SP

Sobre a coluna

Aqui eu compartilharei conteúdo sobre exercício e alimentação para ajudar você a encontrar o caminho para um estilo de vida mais saudável. Os textos são cientificamente embasados e selecionados da melhor forma possível, sempre para auxiliar no seu bem-estar. Mas, lembre-se: a informação profissional é só o primeiro passo da sua nova jornada. O restante do percurso depende 100% de você e da sua motivação para alcançar seu objetivo.