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Paola Machado

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Seu filho come mal? Veja como tornar a alimentação saudável um hábito

Paola Machado

19/11/2018 04h00

Crédito: iStock

O cuidado com a alimentação do seu filho começa desde o momento do desmame. É importantíssimo que até os seis meses ele só consuma o leite materno e, a partir desse momento, você comece a introduzir primeiro as frutas e depois a papa salgada. Tudo tem a maneira e o tempo corretos. Antecipar a introdução dos alimentos pode favorecer reações alérgicas ou intolerâncias alimentares.

Após seu filho passar por essa fase da introdução adequada dos alimentos, é necessário que ele entre no hábito alimentar da família e coma as mesmas refeições dos pais e irmãos. Portanto, se a alimentação da família não é das melhores, dificilmente a criança conhecerá os alimentos saudáveis, dificultando a aceitação quando esta criança for um pouco maior.

A criança de 1 a 2 anos costuma ter uma boa aceitação alimentar. É o momento de trabalhar o experimentar. Deixar a criança colocar a mão no alimento é importantíssimo. Essa atitude fará a criança conhecer texturas e sabores diferentes.

Com certeza a criança sujará a roupa e a casa, mas é dessa maneira que vai se interessar pelos alimentos. Deixar o pequeno tentar colocar a colher na boca também é essencial. Os pais ou cuidadores devem ajudá-lo, porém é importante permitir que ele desenvolva o interesse pela comida e pela independência de se alimentar sozinho.

Mostre o alimento inteiro para a criança, corte na frente dela e deixe que ela o cheire e o aperte. Dessa maneira, podemos reduzir a neofobia –crianças em fase de formação do hábito alimentar não aceitam novos alimentos prontamente.

Assim que a criança crescer um pouquinho é muito interessante deixá-la participar da compra e preparo dos alimentos. O fato de selecionar frutas e vegetais e depois chegar em casa e ajudar a picar ou enfeitar alguma preparação fará ela ter vontade de experimentar. O que não funciona bem com a criança é ela não participar de nada no preparo e depois ser obrigada a comer algo imposto. Isso não fará o menor sentido e passa a ser uma "briga de forças".

Tudo ao redor da alimentação deve acontecer de maneira natural, sem muito estresse. A criança tende a aceitar de forma natural todos os alimentos que são comuns na família. Então, pense que você deve também comer bem e dar o exemplo.

O que fazer quando a criança é resistente à comer?

Regras são importantes na educação da criança, porém devem ser negociadas. Os pais precisam ter atitudes firmes, mas não de agressividade. Conquiste a criança em vez de dividir forças com ela. Estas estratégias podem ajudar a conseguir isso.

Dê só o que está no prato

Se a criança está resistente a comer, fale que tudo bem. Apenas guarde o prato do pequeno e, quando ele sentir fome, diga que é somente quilo que tem para comer. Não dê nenhuma outra opção. Se ele pedir leite ou bolacha, por exemplo, fale não. Se começar a chorar e dizer que não quer comer essa comida, guarde o prato novamente e responda que quando ela estiver com fome irá comê-lo. Faça isso todas as vezes que a criança se recusar a comer. Se um dia você der o que ela pede, o trabalho todo será perdido.

Resista às manhas da criança

Não valorize o choro ou a maneira de chamar a atenção na recusa do prato. A criança pode chorar, se jogar no chão, pedir ajuda aos avós ou outro cuidador da casa etc. Não fique falando muito sobre o assunto, apenas guarde o prato na geladeira e espere. Vá fazer outra coisa e deixe-a chorar. Quando ela perceber que não está chamando a atenção, vai notar que não é dessa maneira que conseguirá comer o que quer.

Se por um acaso você sentir pena e valorizar o choro, ficar conversando e fazendo carinho, a criança vai ganhar força e sempre fará isso porque terá a segurança que uma hora vai conseguir o que quer.

Negocie: se ela não quer comer de tudo, deve pelo menos provar

Essa é uma estratégia boa. Se a criança não quer comer de tudo, precisa pelo menos colocar um pouco no prato e experimentar. Esse momento deve ser valorizado. Parabenize. Se não gostou não tem problema, o importante foi provar.

Saiba que esse experimentar deve acontecer pelo menos 14 vezes com o mesmo alimento –então, mesmo que ele já tenha provado, insista para o pequeno experimentar a comida mais uma vez e mais outra, mais outra… É assim que ocorre a adaptação do paladar. Após as 14 tentativas, pode ser que a criança aceite o alimento naturalmente. O gostar vem com o tempo. Ofereça os mesmos alimentos com preparos diferentes. Isto é interessante.

Nunca dê comida como recompensa

Se a criança se comportou bem ou tirou uma nota boa, não ofereça sobremesas, doces ou fast-food como premiação. A recompensa deve ser levá-la a um parque de diversão ou cinema; dar cadernos de pintura ou brinquedos educativos; viajar para local com praia ou piscina. Ou seja, ofereça alguma forma de diversão e não comida. O objetivo disso? A criança não desenvolver o hábito de relacionar emoções com os alimentos.

Utilize argumentos positivos

Valorize o positivo e não o negativo. Se seu filho não quer comer, não faça ameaças ou o compare com outras crianças que são "maus exemplos". Faça exatamente o contrário: parabenize outros pequenos que comem vegetais ou gostam de frutas, por exemplo, para mostrar ao seu filho que isso é bom.

Incentive a atividade física

Criança precisa correr, pular, dançar e brincar. Reduza o tempo no computador, no celular e na televisão. Melhorando a qualidade alimentar e gastando mais energia, a criança vai ter melhora na saúde, no humor e no aprendizado. Ela se relacionará melhor com as pessoas e aprenderá como se comportar em grupo.

A criança que brinca sozinha no computador não aprende a dividir, não gasta energia, o que pode levar à obesidade infantil, à dificuldade de socialização e trazer alterações emocionais, como irritabilidade, estresse, frustração, sinais depressivos, etc.

Faça uma horta caseira

Essa é uma ótima maneira de a criança conhecer novos alimentos, e vai despertar a curiosidade dela em experimentar o que cultivou. Plante tomate cereja, manjericão, hortelã, salsinha, alface etc. A criança deve participar de todo o processo, como escolher o vasinho, plantar a semente ou muda, regar, colher, lavar e preparar a refeição.

A alimentação da criança deve ser igual a do adulto: saudável

  • Ofereça o café da manhã em casa e não deixe a criança ir à escola em jejum;
  • Ela deve consumir de 3 a 5 porções de frutas por dia e vegetais variados no almoço e jantar;
  • Coloque no prato dela uma vez por dia proteína vegetal: feijão, soja, grão-de-bico, lentilha, ervilha;
  • Ofereça sempre carboidratos integrais: arroz, pão, cereal, macarrão;
  • Suco precisa ser natural ou de polpa congelada. Evite néctar ou artificiais (em pó);
  • Doces, frituras, embutidos (nuggets, salsicha etc.) e fast-food devem ser esporádicos. A criança precisa entender que de vez em quando não tem problema. A frequência e a quantidade exagerada é que farão mal à saúde.
  • Brincar, correr e sorrir é tão importante quanto a alimentação saudável. O conjunto do bem-estar emocional, físico e nutricional promoverá a qualidade de vida do seu filho.

*Colaboração da Prof. e Dra. Ana Dâmaso (Universidade Federal de São Paulo) 

Referência: Capítulo do e-book "Saber Emagrecer" disponibilizado na clínica e, em breve, app 12 semanas para conhecimento do processo de emagrecimento com autoria de Ana Dâmaso e Paola Machado. 

Sobre a autora

Paola Machado é fisiologista do exercício, formada em educação física modalidade em saúde pela UNIFESP (Universidade Federal de São Paulo), mestre em ciências da saúde (foco em fisiologia do exercício e imunologia) e doutoranda em nutrição pela UNIFESP. É autora do Livro Kilorias - Faça do #projetoverão seu estilo de vida (Editora Benvirá). Atualmente, atua como pesquisadora, desenvolvendo trabalhos científicos sobre obesidade, e tem um canal de desafios (30 Dias com Paola Machado) onde testa a teoria na prática. Também é fundadora do aplicativo aplicativo 12 semanas. CREF: 080213-G | SP

Sobre a coluna

Aqui eu compartilharei conteúdo sobre exercício e alimentação para ajudar você a encontrar o caminho para um estilo de vida mais saudável. Os textos são cientificamente embasados e selecionados da melhor forma possível, sempre para auxiliar no seu bem-estar. Mas, lembre-se: a informação profissional é só o primeiro passo da sua nova jornada. O restante do percurso depende 100% de você e da sua motivação para alcançar seu objetivo.