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Paola Machado

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Levantar peso na academia deixa a mulher com o corpo masculinizado?

Paola Machado

04/01/2019 04h00

Crédito: iStock

Muitas mulheres que iniciam no treino têm medo de ficar musculosas. Por isso, evitam aumentar o peso e até de fazer certos exercícios, especialmente para a parte superior do corpo. Mas saiba que dificilmente alguém sofre uma transformação assim no corpo graças ao simples fato de começar a malhar.

Apesar de os benefícios gerais proporcionados pelo treinamento de força serem semelhantes nas mulheres e nos homens, o aumento de massa muscular tende a não ocorrer de forma tão acentuada no sexo feminino. Isso se deve a alguns fatores, dentre eles o nível de certos hormônios e a composição das fibras musculares.

A testosterona é o principal hormônio responsável pelo aumento da massa muscular, além do desenvolvimento de características masculinas, como o engrossamento da voz, crescimento da barba e de pelos no corpo etc.

Por natureza, homens apresentam concentrações séricas de testosterona, em média, dez a vinte vezes maiores que as mulheres. Durante o exercício, essa diferença aumenta ainda mais.

Com relação aos tipos de fibras musculares, é de conhecimento científico que as fibras musculares do tipo II são as que mais hipertrofiam. As mulheres levam grande desvantagem nesse aspecto, pois apresentam mais fibras do tipo I, quando comparados ao homem.

Por esses fatores, as mulheres raramente atingem níveis de hipertrofia comparáveis aos homens. Contudo, algumas  conseguem um desenvolvimento muscular próximo, devido aos seguintes fatores:

  • Níveis de testosterona, GH ou outros hormônios anabólicos acima do normal;
  • Resposta hormonal ao exercício com peso acima dos padrões considerados normais;
  • Relação estrógeno-testosterona abaixo do normal;
  • Fatores genéticos que predisponham a uma maior massa muscular;
  • Capacidade fisiológica de realizar treinamento de maior intensidade;
  • Utilização de farmacológicos que imitam os efeitos dos hormônios anabolizantes endógenos (as populares "bombas").

Portanto, a "masculinização" do corpo da mulher na maioria das vezes só ocorre quando se  combina fatores como predisposição genética e vontade própria –uso de anabolizantes –, o que não é a realidade da maioria das mulheres.

A verdade é que o treinamento de força ajuda a reduzir a gordura corporal e eleva a massa magra, mas não ao ponto de deixar o corpo menos feminino.

A musculação resulta em aumentos significativos de força, mas muito pequenos das medidas da parte superior do corpo e nenhuma alteração ou decréscimo de medidas da parte inferior –pela redução de gordura corporal, que ocupa um espaço muito elevado quando comparado à massa muscular. Apenas mulheres com predisposição genética à hipertrofia e que realizam um treinamento de grande volume e intensidade perceberão aumentos substanciais na circunferência dos membros.

Na musculação, os meios e métodos de treinamento são os mesmos tanto para homens quanto para mulheres, cabendo aos profissionais de educação física adequá-los de acordo com as preferências e necessidades de cada aluno. Desse modo, todos ficam satisfeitos com o resultado dos exercícios.

Referências:
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– Salvador, E. P. et al. Comparação entre desempenho motor de homens e mulheres em séries múltiplas de exercícios com pesos. Rev. Bras. Med. Esp., v. 11, n. 5, p. 257-61, 2005.
– Teixeira, Cauê V. La Scala, Guedes Jr, Dilmar Pinto. Musculação: perguntas e respostas: as 50 dúvidas  mais frequentes nas academias. São Paulo: Phorte, 2010.
– Zatsiorky, V. M.; Kraemer, W. J. Ciência e prática do treinamento de força. 2. ed. São Paulo: Phorte, 2008.
– Karlsson J, Jacobs I: Is the significance of muscle fiber types to muscle metabolism different in females than in males in Borms J, Hebbelink M, Venerando A (eds): Women and Sport, an Historical, Biological, Physiological and Sports Medical Approach. Basel, Switzerland, S Karger, 1981.
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– Fleck, S. J. e Kraemer, W. J. Fundamentos do treinamento de força muscular. 3. ed. Porto Alegre: Artmed, 2006.
– National Strength and Conditioning Association: Position Paper: Strength Training for Female Athletes. National Strength and Conditioning Association, Colorado Springs, 1990.
– Holloway JB: Individual differences and their implications for resistance training, in Baechle TR (ed): Essentials of Strength Training and Conditioning, Champaign, IL, Human Kinetics, 1994, pp 151162.

Sobre a autora

Paola Machado é fisiologista do exercício, formada em educação física modalidade em saúde pela UNIFESP (Universidade Federal de São Paulo), mestre em ciências da saúde (foco em fisiologia do exercício e imunologia) e doutoranda em nutrição pela UNIFESP. É autora do Livro Kilorias - Faça do #projetoverão seu estilo de vida (Editora Benvirá). Atualmente, atua como pesquisadora, desenvolvendo trabalhos científicos sobre obesidade, e tem um canal de desafios (30 Dias com Paola Machado) onde testa a teoria na prática. Também é fundadora do aplicativo aplicativo 12 semanas. CREF: 080213-G | SP

Sobre a coluna

Aqui eu compartilharei conteúdo sobre exercício e alimentação para ajudar você a encontrar o caminho para um estilo de vida mais saudável. Os textos são cientificamente embasados e selecionados da melhor forma possível, sempre para auxiliar no seu bem-estar. Mas, lembre-se: a informação profissional é só o primeiro passo da sua nova jornada. O restante do percurso depende 100% de você e da sua motivação para alcançar seu objetivo.