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Treino hipopressivo: para que servem os exercícios de contração do abdômen?

Paola Machado

08/02/2019 04h00

Crédito: iStock

Provavelmente, você já viu em alguma capa de revista celebridades falando das maravilhas da "nova" ginástica hipopressiva, um tipo de exercício de contração do abdômen baseado na pressão negativa. Mas o que é e quais os reais benefícios desse método?

A técnica foi criada em 1950 por um fisioterapeuta belga chamado Dr. Marcel Caufriez, para ajudar no tratamento e prevenção de disfunções do assoalho pélvico ou músculo perineal.

Ela envolve uma sequência de posturas associadas à contração dos músculos da pelve, do abdômen e exercícios respiratórios, tendo como objetivo a diminuição da pressão intra-abdominal sobre o assoalho pélvico e o seu fortalecimento.

Por que é importante o fortalecimento do assoalho pélvico?

O assoalho pélvico é constituído por 13 músculos que possuem a função de continência urinária e fecal, função sexual e sustentação dos órgãos da pelve, como útero, bexiga, reto e intestino delgado. O principal músculo é o elevador do ânus.

Quando enfraquecidos, esses músculos não conseguem exercer as suas funções, causando sintomas de incontinência urinária e fecal e prolapso genital, quando os órgãos caem sobre a cavidade vaginal, causando problemas na qualidade de vida das mulheres.

Como funcionam os exercícios?

Quando realizamos os exercícios hipopressivos, é como se fizéssemos uma sucção do assoalho pélvico para cima.

Durante a expiração, a paciente realiza a contração dos músculos transverso do abdômen, fazendo uma sucção e contração da musculatura para trás e para cima, e durante a inspiração, os músculos se relaxam. Os exercícios podem ser realizados deitado, sentado ou em pé, variando de acordo com a progressão de cada paciente.

Benefícios

Entre os principais efeitos destacam-se a prevenção e tratamento de disfunções do assoalho pélvico, melhora da diástase abdominal e ajuda na recuperação do assoalho pélvico no período pós-parto.

No entanto, não são somente as mulheres que apresentam alguma disfunção ou puérperas que podem realizar este tipo de exercício, todas as mulheres deveriam praticar e fortalecer o assoalho pélvico na frequência de pelo menos duas vezes na semana, como medida de prevenção e fortalecimento desta musculatura.

Os benefícios têm se estendido não apenas a mulheres, mas a pessoas de todas idades. A técnica é considerada completa e envolve os principais músculos da respiração e estabilização, como o transverso do abdômen, oblíquos e serrátil anterior.

Estudos recentes apontam uma significativa melhora na postura, diminuição de dor lombar e fortalecimento abdominal, melhora da função e da flexibilidade da lombar, auxiliando até mesmo na estabilização da escoliose. Muitas pessoas dizem que o método é capaz de diminuir as medidas de cintura e gordura corporal, mas ainda não há evidências consistentes na literatura.

É importante enfatizar que há contraindicações do método em gestantes e hipertensos, e quando mal aplicado ou orientado pode gerar disfunções.

Antes de iniciar os exercícios, é ideal que você procure um fisioterapeuta especializado, assim terá efeitos benéficos.

A respiração e contração de assoalho pélvico correta irão fazer toda a diferença no exercício realizado. O ideal é a prática duas vezes por semana com intervalos de um dia para que a musculatura se recupere adequadamente.

Você sabia que alguns exercícios físicos podem sobrecarregar a o assoalho?

Durante qualquer exercício é importante a contração do músculo transverso do abdômen para que não ocorra uma sobrecarga da musculatura do assoalho pélvico, que está logo abaixo deste músculo, sustentando todos os nossos órgãos.

Quando isto não ocorre, o músculo abdominal sobrecarrega o músculo do assoalho pélvico, que não consegue suportar o aumento da carga sobre ele, diminuindo as suas funções, causando escapes de urina e enfraquecimento desta musculatura. Isto ocorre frequentemente quando carregamos um peso sem a consciência da contração do transverso do abdômen.

Algumas atividades físicas podem predispor a ocorrência de incontinência. Mulheres corredoras, por exemplo, podem se prevenir e se beneficiar dos efeitos desta técnica, pois durante a corrida há um grande impacto e aumento da pressão intra-abdominal sobre os músculos perineais, que muitas vezes estão fracos e podem apresentar incontinência urinária de esforço, como na tosse ou no espirro.

*Colaboração da fisioterapeuta Dra. Renata Luri, doutora em Ciências da Saúde pela UNIFESP e da fisioterapeuta Dra. Juliana Satake, especializa em Saúde da Mulher 

Referências:
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Sobre a autora

Paola Machado é fisiologista do exercício, formada em educação física modalidade em saúde pela UNIFESP (Universidade Federal de São Paulo), mestre em ciências da saúde (foco em fisiologia do exercício e imunologia) e doutoranda em nutrição pela UNIFESP. É autora do Livro Kilorias - Faça do #projetoverão seu estilo de vida (Editora Benvirá). Atualmente, atua como pesquisadora, desenvolvendo trabalhos científicos sobre obesidade, e tem um canal de desafios (30 Dias com Paola Machado) onde testa a teoria na prática. Também é fundadora do aplicativo aplicativo 12 semanas. CREF: 080213-G | SP

Sobre a coluna

Aqui eu compartilharei conteúdo sobre exercício e alimentação para ajudar você a encontrar o caminho para um estilo de vida mais saudável. Os textos são cientificamente embasados e selecionados da melhor forma possível, sempre para auxiliar no seu bem-estar. Mas, lembre-se: a informação profissional é só o primeiro passo da sua nova jornada. O restante do percurso depende 100% de você e da sua motivação para alcançar seu objetivo.