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Paola Machado

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Entenda a diferença entre contusão, laceração e estiramento

Paola Machado

2010-04-20T19:04:00

10/04/2019 04h00

Crédito: iStock

As lesões musculares estão entre as queixas mais comuns nos consultórios e podem ocorrer tanto em atletas como em não atletas. Estima-se que 30% a 50% de todas as lesões associadas ao esporte são musculares, a principal causa de incapacidade.

A maioria das lesões ocorre por alongamento excessivo ou por trauma direto (pancada) muscular. Estas lesões podem ter o processo de recuperação demorado e gerar o afastamento das atividades do dia a dia e prejuízos financeiros. No caso de atletas, há ainda o afastamento de treinamentos e competições, além de sequelas funcionais e a temida recorrência de lesões.

Os músculos que mais sofrem

Os músculos comumente afetados são os isquiotibiais (músculos da parte de trás da coxa),  quadríceps (na frente das coxa) e gastrocnêmios (na panturrilha). Os músculos da parte posterior da coxa são geralmente lesionados em esportes como o futebol, o rúgbi e o atletismo.

As lesões musculares podem ser causadas por contusões, estiramentos ou lacerações. Mais de 90% de todas as lesões relacionadas ao esporte são contusões ou estiramentos. Já as lacerações musculares são as menos frequentes.

Entenda as diferenças entre contusão, estiramento e laceração

  • Contusões Causadas pelo trauma de um objeto sobre o músculo. A contusão varia se há ou não contração muscular durante o trauma. Com o músculo relaxado, existe a lesão de mais camadas musculares. Já em um músculo contraído, a lesão geralmente é mais superficial, pois a energia é absorvida pela musculatura. Uma contusão normalmente afeta o ventre muscular, cursa com hematoma associado à dor e pode ser incapacitante quando acompanhada de diminuição da amplitude de movimento.
  • Estiramento A força exercida leva a um excessivo estiramento das fibras musculares e à sua ruptura próxima à junção miotendínea –região de interface com o tendão e tecido muscular. São tipicamente observados nos músculos superficiais que trabalham cruzando duas articulações, como os músculos reto femoral, semitendíneo e gastrocnêmio.
  • Lacerações Causadas por trauma grave ou objetos penetrantes que dividem o tecido muscular. Podem ser parciais ou completas. A recuperação pode formar uma cicatriz fibrosa no tecido muscular e causar restrição e dor ao movimento.

Graus de comprometimento

As lesões musculares são classificadas entre leves, moderadas e graves, a partir de aspectos clínicos:

  1. Leve Dor bem localizada, potencializada por um movimento específico, dolorosa à contração muscular contra resistência manual, às vezes, precedida por uma sensação de pressão. A lesão não é palpável e não há incapacidade funcional.
  2. Moderada Dor aguda, também potencializada por um movimento específico, no entanto a sensação de pressão é seguida de dor e há incapacidade funcional.
  3. Grave Dor severa exacerbada por um movimento específico, acompanhada de incapacidade funcional. A lesão no músculo pode ser percebida à palpação, o hematoma ocorre precocemente e necessita de reabilitação intensa.

Prevenção de lesões

Aquecimento e alongamento ativo e passivo antes dos treinos têm sido postulados como estratégias de prevenção de lesões, no entanto, ainda não há consenso sobre critérios específicos na diminuição da incidência das lesões musculares. Há evidências mais consistentes em relação à prevenção de lesões que relacionam o papel do fortalecimento da musculatura, diminuição da assimetria de força muscular e equilíbrio neuromuscular.

Isso é, a chave da prevenção é o preparo da corpo de forma mais contínua. Movimentar-se e exercitar-se de forma progressiva com orientação adequada para evitar desequilíbrios musculares e compensações. Procure sempre um profissional da área da saúde como o médico, o fisioterapeuta e o educador físico, que possuem papel fundamental na prevenção e tratamento de lesões.

E a cãibra?

Além das lesões que afetam as estruturas das fibras musculares, há também disfunções musculares como as famosas cãibras, a fadiga muscular e a síndrome compartimental.

  • Cãibra É uma súbita contração involuntária da musculatura, que causa graus variáveis de dor. São várias as teorias que tentam explicar as causas desta alteração, como a desidratação, hiponatremia (diminuição do sódio e/ou do potássio no sangue) e alterações da excitabilidade neuronal. Sua maior ocorrência é nas pernas. No texto de amanhã esclarecerei mais afundo esse tema.
  • Fadiga muscular É identificada pelo cansaço no músculo acompanhado de dor após alguma atividade, decorrente de um processo influenciado por vários mecanismos: como a concentração de substratos metabólicos, alterações no fluxo sanguíneo e aumento da concentração das espécies reativas de oxigênio. Essas alterações prejudicam a função muscular, aumentam a predisposição a lesões e impactam em um menor desempenho esportivo.
  • Síndrome Compartimental É uma condição dolorosa que ocorre quando há um aumento de pressão dentro da bainha que envolve cada músculo, diminuindo o fluxo sanguíneo, impedindo a nutrição e oxigenação nas células musculares e nervos. Pode ser aguda ou crônica.

*Colaboração da fisioterapeuta Doutora em Ciências da Saúde pela UNIFESP, Dra. Renata Luri e da fisioterapeuta pela UNIFESP Dra. Bruna Barrreto

Referências:
– FITZGERALD, Karima; LEE, Amanda E.; LAUFENBERG, Lacee Jay. Extremity Compartment Syndrome. In: Clinical Algorithms in General Surgery. Springer, Cham, 2019. p. 693-697.
– GARG, Koyal; CORONA, Benjamin T.; WALTERS, Thomas J. Therapeutic strategies for preventing skeletal muscle fibrosis after injury. Frontiers in pharmacology, v. 6, p. 87, 2015.
– KISNER, Carolyn; COLBY, Lynn Allen; BORSTAD, John. Exercícios terapêuticos: fundamentos e técnicas . Fa Davis, 2017.
– MAFFULLI, Nicola et al. ISMuLT Guidelines for muscle injuries. Muscles, ligaments and tendons journal, v. 3, n. 4, p. 241, 2013.

Sobre a autora

Paola Machado é fisiologista do exercício, formada em educação física modalidade em saúde pela UNIFESP (Universidade Federal de São Paulo), mestre em ciências da saúde (foco em fisiologia do exercício e imunologia) e doutoranda em nutrição pela UNIFESP. É autora do Livro Kilorias - Faça do #projetoverão seu estilo de vida (Editora Benvirá). Atualmente, atua como pesquisadora, desenvolvendo trabalhos científicos sobre obesidade, e tem um canal de desafios (30 Dias com Paola Machado) onde testa a teoria na prática. Também é fundadora do aplicativo aplicativo 12 semanas. CREF: 080213-G | SP

Sobre a coluna

Aqui eu compartilharei conteúdo sobre exercício e alimentação para ajudar você a encontrar o caminho para um estilo de vida mais saudável. Os textos são cientificamente embasados e selecionados da melhor forma possível, sempre para auxiliar no seu bem-estar. Mas, lembre-se: a informação profissional é só o primeiro passo da sua nova jornada. O restante do percurso depende 100% de você e da sua motivação para alcançar seu objetivo.