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Paola Machado

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Você já "perdeu" xixi durante a corrida ou caminhada?

Paola Machado

11/09/2019 04h00

Crédito: iStock

Apesar de estar altamente relacionada ao envelhecimento, gravidez e multiparidade, a incontinência urinária é cada vez mais comum entre as mulheres mais jovens e ativas.

A International Continence Society (ICS) define a incontinência urinária como qualquer perda involuntária de urina. A incontinência por esforço é o tipo mais comum e ocorre ao carregar peso e atividades de alto impacto, ou até mesmo ao rir ou tossir.

Existem várias teorias que tentam explicar o motivo dessas perdas, mas a origem se deve a um aumento da pressão intra-abdominal sobre os músculos do assoalho pélvico (MAP) e o enfraquecimento deles. Estes músculos em torno da bexiga e da uretra são responsáveis por conter a urina armazenada na bexiga. O esfíncter atua como uma "torneirinha", quando há uma sobrecarga intra-abdominal, essa torneira tem a função de se manter fechada durante o esforço. Porém, quando há um enfraquecimento/falha desse mecanismo, o aumento da pressão intra-abdominal leva à perda de urina. Essa perda pode ser em gotas ou até mesmo maiores, que prejudicam e muito a qualidade de vida da mulher.

O que a corrida tem a ver com o escape de xixi?

Embora a corrida traga muitos benefícios para a qualidade de vida das mulheres, é considerada uma forma de exercício de alto impacto e pode ser um fator de risco para o desenvolvimento de incontinência urinária em mulheres com predisposição ou fraqueza da musculatura de assoalho pélvico.

Estudos recentes mostram que aproximadamente 62% das mulheres corredoras já tiveram ao menos um episódio de escape durante a atividade. A prevalência não se deve somente a atividades de alto impacto, mas também ao alto volume de treinamento e fadiga muscular da musculatura abdominal e pélvica. Outras atividades também podem ser citadas: musculação, atletismo e saltos.

O que ocorre no corpo?

Os músculos da bexiga sofrem uma sobrecarga devido ao impacto na região. Para se ter uma ideia, a sobrecarga aumenta de 3 a 4 vezes durante essas atividades.

Vergonha do assunto…

Apesar de ser frequente, muitas mulheres acabam não procurando por ajuda. Seja pela vergonha, seja por acreditar "ser normal" perder urina durante o exercício.

Porém, o ideal é que o tratamento comece em estágios mais leves e iniciais, para prevenir problemas futuros e melhorar a qualidade de vida.

A incontinência urinária está associada à piora da autoestima e queda da performance. E muitas mulheres interrompem as atividades físicas quando ocorrem os primeiros episódios.

Como prevenir?

Tanto a prevenção quanto o tratamento devem ser realizados sempre com orientação de um médico ginecologista ou urologista, e de um fisioterapeuta especializado e capacitado na área de uroginecologia.

Os exercícios são realizados por meio do fortalecimento da musculatura do assoalho pélvico e fortalecimento dos músculos intra-abdominais, estes serão o suporte necessário para evitar a sobrecarga do assoalho pélvico e melhorar o equilíbrio entre as forças superiores e inferiores ao quadril.

Os exercícios específicos do assoalho pélvico para incontinência urinária em estágios iniciais são simples e devem ser realizados diariamente por meio de contrações sustentadas da musculatura. Além desses exercícios, estudos recentes apontam que o método pilates pode auxiliar no tratamento, por fortaler os músculos do core e restabelecer o equilíbrio do corpo.

Mas atenção: todo e qualquer exercício realizado de forma incorreta pode predispor a problemas. No caso dos exercícios específicos do assoalho pélvico pode levar a infecções urinárias ou até hipertrofia da musculatura. Por isso, sempre procure por profissionais da saúde. O acompanhamento de um fisioterapeuta especialista em saúde da mulher é essencial para que a paciente recupere o controle de seu corpo e melhore a performance durante a atividade física.

*Colaboração da fisioterapeuta Dra. Renata Luri , Doutora pela UNIFESP e da fisioterapeuta Dra. Juliana Satake, Especializada em Saúde da Mulher UNICAMP

Referências:
– Martins, et al. A perda de urina é influenciada pela modalidade esportiva ou pela carga de treino? Uma revisão sistemática. Rev Bras Med Esporte vol.23 no.1 São Paulo Jan./Feb. 2017.
– Silva, M. R et al. The relationship between running kinematics and the pelvic floor muscle function of female runners..Int Urogynecol J; 2019 May (18).
– Oliveira M, Ferreira M, Azevedo MJ, Machado JF. Santos PC Pelvic floor muscle training protocol for stress urinary incontinence in women: A systematic review Rev. Assoc. Med. Bras. São Paulo, 2017 July; 63(7).
– Zanetti, MDR; Castro, AR ; Rotta LA; Santos, PD; Marair D; Girão, MJBC .Impact of supervised physiotherapeutic pelvic floor exercises for treating female stress urinary incontinence. Sao Paulo Med J; 2007 Sept; 125(5): 265-269.
– Souza, LM; Pegorare, ABGS; Christofoletti, G; Barbosa, SRM. Influence of a protocol of Pilates exercises on the contractility of the pelvic floor muscles of non-institutionalized elderly persons / Influência de um protocolo de exercícios do método Pilates na contratilidade da musculatura do assoalho pélvico de idosas não institucionalizadas. Rev. bras. geriatr. Gerontol, 2017 July-Aug; 20(4): 484-492.

Sobre a autora

Paola Machado é fisiologista do exercício, formada em educação física modalidade em saúde pela UNIFESP (Universidade Federal de São Paulo), mestre em ciências da saúde (foco em fisiologia do exercício e imunologia) e doutoranda em nutrição pela UNIFESP. É autora do Livro Kilorias - Faça do #projetoverão seu estilo de vida (Editora Benvirá). Atualmente, atua como pesquisadora, desenvolvendo trabalhos científicos sobre obesidade, e tem um canal de desafios (30 Dias com Paola Machado) onde testa a teoria na prática. Também é fundadora do aplicativo aplicativo 12 semanas. CREF: 080213-G | SP

Sobre a coluna

Aqui eu compartilharei conteúdo sobre exercício e alimentação para ajudar você a encontrar o caminho para um estilo de vida mais saudável. Os textos são cientificamente embasados e selecionados da melhor forma possível, sempre para auxiliar no seu bem-estar. Mas, lembre-se: a informação profissional é só o primeiro passo da sua nova jornada. O restante do percurso depende 100% de você e da sua motivação para alcançar seu objetivo.