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Paola Machado

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Síndrome do impacto do ombro gera dor e afeta seu treino e seu dia a dia

Paola Machado

25/09/2019 04h00

Crédito: iStock

Você sabia que a dor no ombro corresponde a 7% a 27% dos incômodos relatados pela população? Como o ombro é uma parte do corpo que usamos para praticamente tudo, a limitação em fazer os seus movimentos atrapalha a rotina e gera afastamentos no trabalho. Segundo a American Academy of Orthopaedic Surgeons, a síndrome do impacto ou síndrome do impacto subacromial é a causa mais comum de dor no ombro, com prevalência de 44% a 65% dos casos.

Quais características?

  • Inflamatória e degenerativa.
  • Incidência maior em pessoas com 40 a 50 anos.
  • Acomete mais mulheres.
  • dDor intensa e limitante.
  • Alterações na mobilidade e dificuldade na elevação do ombro,
  • or pode ser pior à noite.

Entenda o mecanismo da elevação do ombro

O ombro é uma das articulações mais móveis e complexas do corpo humano. Os músculos e as articulações devem estar equilibrados e bem articulados para um funcionamento perfeito.
Quando elevamos os braços acima de 90º, os músculos escapulares (chamados Manguito Rotador) entram em ação juntamente com os músculos do ombro, chamado de deltóide, exercendo um papel fundamental na abertura e flexão do ombro acima dos 90º.

Mas por que sinto estas dores?

Quando há um desequilíbrio entre as forças do músculo do ombro e os músculos escapulares ocorre uma diminuição do espaço entre os ossos do acrômio, considerado o "teto" do ombro, gerando atrito dos músculos em relação aos ossos todas as vezes que elevamos o braço acima dos 90º. Traduzindo, alterações como a perda de força, alterações anatômicas (como ter um esporão ou até ter nascido com uma formato específico em gancho no osso que está nessa região) e desequilíbrios entre os grupos musculares predispõem ao desenvolvimento da doença.

Essa condição gera um quadro cíclico de lesão microtraumática, causando inflamação e compressão da musculatura do manguito rotador.

Qual a diferença entre bursite, tendinite ou síndrome do impacto?

  • Bursite A bursite é a inflamação da bursa, uma bolsa serosa que tem a função de facilitar o deslizamento dos tendões do ombro. Ela é considerada por muitos a causa da doença, porém não é correto, ela é a consequência de algo errado que está acontecendo no ombro e pode ser causada por lesões traumáticas diretas ou indiretas.
  • Tendinite A tendinite ou tendinopatia é a inflamação do tendão. No ombro, os tendões mais comumente inflamados são os tendões do manguito rotador (supraespinal, infraespinal, subescapular e redondo menor) e o tendão da cabeça longa do bíceps que sofre compressão nos casos de Síndrome do Impacto, gerando dor na parte anterior (frente) do ombro. A tendinite pode ser gerada por movimentos repetitivos realizados de forma inadequada.
  • Síndrome do Impacto Na síndrome do impacto gerado pelo mecanismo incorreto de forças de ação sobre o ombro, pode gerar inflamação tanto na bursa quanto no tendão.

Quais os sinais de alerta para desenvolver a Síndrome do Manguito Rotador?

  • Má postura (protusão de ombros e fraqueza muscular).
  • Movimentos repetitivos acima da linha do ombro (Ex: tênis, natação, etc.).
  • Envelhecimento, perda de força muscular e degeneração do tendão.
  • Trauma direto no ombro.
  • Discinesia escapular (movimentos incorretos da escápula).
  • Anatomia

Diagnóstico

O diagnóstico é feito com base no histórico do paciente e no exame físico. Exames de imagem podem descartar outras causas e avaliar rupturas, bursites e tendinites.

4 dicas simples para prevenir

  1. Fortalecer os músculos do manguito rotador Muitas vezes esquecidos pelos fortões da academia, o fortalecimento dos músculos rotadores externos e internos melhora e muito o "encaixe" ou coaptação articular.
  2. Fortalecer os músculos da coluna para estabilização Pensar apenas em fortalecer músculos superficiais para ter mais gominhos não é o melhor caminho. Invista em fortalecer os músculos profundos.
  3. Melhorar a postura em pessoas que apresentam protusão de ombros — ombros caídos para frente.
  4. Corrigir os movimentos escapulares Reaprender a realizar alguns movimentos e fortalecer os grupos musculares em déficit de força.

Tratamentos

O tratamento inicial é conservador e inclui analgésicos e fisioterapia para diminuição do processo inflamatório, repouso e crioterapia.

Após essa fase deve ser realizado um programa de exercícios específicos com fortalecimento muscular, melhora da amplitude de movimento e propriocepção do ombro.

Recentes estudos apontam o papel da fisioterapia através da cinesioterapia – fortalecimento muscular- como a parte mais importante do tratamento. Caso a lesão seja mais grave, pode ser necessário realizar a artroscopia. O objetivo é a descompressão do ombro evitando o impacto e reparo das estruturas acometidas.

*Colaboração da Fisioterapeuta Doutora pela Unifesp Renata Luri e da Fisioterapeuta Especializada em Saúde da Mulher pela Unicamp Juliana Satake 

Referências:
– Espinoza. G. et al. Rationale and methods of a randomized clinical trial to compare specific exercise programs versus home exercises in patients with subacromial impingement syndrome. Medicine (Baltimore); v.98, n.30, 2019.
– Golz, A. et al. Comparison of Scapular Mechanics After Activity With and Without a Targeted Compression Garment.J Surg Orthop Adv ; v.28, n.1, p.18-23, 2019.
– Takeno, K. et al. Therapeutic Interventions for Scapular Kinematics and Disability in Patients With Subacromial Impingement: A Systematic Review.J Athl Train ; v.54, n.3, p. 283-295, 2019
– Ucurum, S. G et al. Comparison of different electrotherapy methods and exercise therapy in shoulder impingement syndrome: A prospective randomized controlled trial. Acta Orthopaedica et Traumatologica Turcica. v. 52, n. 4, p. 249-255, 2018.
– Seo, et. al. Effectiveness and safety of fluoroscopy-guided acupuncture for subacromial impingement syndrome: A protocol for a randomized, patient-assessor blind, parallel clinical trial. Medicine (Baltimore). v.97, n.38, 2018.
– Saito, et al. Scapular focused interventions to improve shoulder pain and function in adults with subacromial pain: A systematic review and meta-analysis.Physiother Theory Pract; v.34, n.9, p. 653-670, 2018.

Sobre a autora

Paola Machado é fisiologista do exercício, formada em educação física modalidade em saúde pela UNIFESP (Universidade Federal de São Paulo), mestre em ciências da saúde (foco em fisiologia do exercício e imunologia) e doutoranda em nutrição pela UNIFESP. É autora do Livro Kilorias - Faça do #projetoverão seu estilo de vida (Editora Benvirá). Atualmente, atua como pesquisadora, desenvolvendo trabalhos científicos sobre obesidade, e tem um canal de desafios (30 Dias com Paola Machado) onde testa a teoria na prática. Também é fundadora do aplicativo aplicativo 12 semanas. CREF: 080213-G | SP

Sobre a coluna

Aqui eu compartilharei conteúdo sobre exercício e alimentação para ajudar você a encontrar o caminho para um estilo de vida mais saudável. Os textos são cientificamente embasados e selecionados da melhor forma possível, sempre para auxiliar no seu bem-estar. Mas, lembre-se: a informação profissional é só o primeiro passo da sua nova jornada. O restante do percurso depende 100% de você e da sua motivação para alcançar seu objetivo.

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