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Paola Machado

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Refluxo gastroesofágico: o que mudar na alimentação para evitar o problema

Paola Machado

01/10/2019 04h00

Crédito: iStock

A doença do refluxo gastresofágico é uma afecção crônica decorrente do fluxo de parte do conteúdo ácido do estômago para o esôfago, o que gera uma variedade de sintomas. Os desconfortos clássicos são pirose (queimação) e a regurgitação.

A pirose é a sensação de queimação que se irradia do osso esterno à base do pescoço. Já a regurgitação refere-se ao retorno do conteúdo ácido ou de alimentos para a cavidade oral.

A doença pode ser classificada em erosiva, quando ocorre erosões ou lesões na mucosa esofagiana, e não erosiva, quando existem os mesmos sintomas, porém sem as lesões.

Fisiologicamente, o esfíncter esofagiano inferior (EEI) é um músculo mantido em estado de contração constante, o que evita essa translocação do conteúdo gástrico para o esôfago. Mas o tônus desse músculo pode ser diretamente influenciado por vários fatores, como hormonais, anatômicos e dietéticos.

Excesso de peso

O excesso de peso se relaciona ao refluxo gastroesofágico. Indivíduos com obesidade apresentam de 1,2 a 3 vezes mais chances de desenvolver a doença do refluxo gastresofágico, além de ter maior chance de complicações e maior gravidade da doença.

O excesso de gordura corporal na região abdominal aumenta a pressão intra-abdominal, o que, por sua vez, aumenta a pressão gastroesofágica e a pressão intragástrica, favorecendo o refluxo.

A alimentação pode levar ao refluxo gastroesofágico?

Sim, a quantidade excessiva de alimentos ingeridos e o consumo de maiores quantidades de gorduras na alimentação são os principais determinantes do refluxo gastroesofágico. A refeição volumosa ou feita de forma muito rápida pode acarretar em distensão do fundo gástrico, aumentando o refluxo após as refeições.

Recomendações alimentares para refluxo gastro-esofágico

O principal objetivo do tratamento clínico é promover alívio dos sintomas, cicatrização das lesões e prevenção de recidivas. Neste sentido, a alimentação requer alguns cuidados e pontos de atenção para minimizar o quadro:

  • Moderar a ingestão de alimentos gordurosos: evitar aqueles alimentos que contenham gordura, como manteiga, margarina e frituras. O consumo destes alimentos se relaciona à piora dos sintomas. Refeições ricas em gorduras podem levar à diminuição da pressão do esfíncter esofagiano inferior, aumento na frequência do relaxamento transitório e retardo do esvaziamento do estômago.
  • Priorizar a ingestão de carnes magras e evitar as carnes mais gordas e com gordura aparente, cupim, picanha, salsinha, linguiça, bacon e toucinho.
  • Evitar o consumo de cítricos em situações de lesões na mucosa do esôfago: laranja, limão, abacaxi e acerola.
  • Evitar o consumo de café, chás (preto, mate) e chocolates: alguns compostos presentes nestes alimentos/bebidas estimulam a produção de suco gástrico, podendo intensificar o refluxo.
  • Evitar o consumo de bebidas alcoólicas: o álcool é uma substância irritante para a mucosa gástrica, o que potencializa o refluxo. Estudo de metanálise relatou correlação positiva entre uso de álcool e sintomas de refluxo gastroesofágico.
  • Não consumir líquidos nas refeições principais: o consumo de bebidas junto às refeições provoca expansão gástrica, o que pode estar envolvido na maior chance de refluxo gastroesofágico. As bebidas gaseificadas, como os refrigerantes e água com gás, podem alterar a pressão intra-abdominal e promover o relaxamento do esfíncter esofágico inferior.
  • Evitar carboidratos refinados, como açúcar, glicose, produtos e preparações que os contenham em sua composição. Os carboidratos refinados são apenas parcialmente absorvidos no intestino, e posteriormente, fermentados no cólon por bactérias intestinais. Este processo de fermentação pode induzir liberação neuro-hormonal e promover relaxamento do esfíncter esofágico inferior.

Orientações gerais sobre alimentação

Referências:
– Fraga PL; Martins FSC. Doença do Refluxo Gastroesofágico: uma revisão de literatura Gastroesophageal Cadernos UniFOA. 2012.  v. 7, n. 18.
– de Freitas ACT, Marciniak BM, Guerra JP, Coelho JCU. Efeito do índice de massa corporal no tratamento cirúrgico do refluxo gastroesofágico. Rev. Med. UFPR; 2017. 4(3): 117-122.
– Tolone S, Limongelli P, del Genio G, Brusciano L, Rossetti G, Amoroso V, Schettino P, Avellino M, Gili S, Docimo L. Gastroesophageal reflux disease and obesity: do we need to perform reflux testing in all candidates to bariatric surgery? Int J Surg. 2014;12 Suppl 1:S173-7. doi: 10.1016/j.ijsu.2014.05.016.
– Richter JE. Gastroesophageal reflux disease and obesity: not as simple as we may think. Dig Dis Sci. 2012 Jul;57(7):1748-50. doi: 10.1007/s10620-012-2251-z.
– Newberry C, Lynch K. The role of diet in the development and management of gastroesophageal reflux disease: why we feel the burn. J Thorac Dis. 2019 Aug;11(Suppl 12):S1594-S1601. doi: 10.21037/jtd.2019.06.42.
– Pan J, Cen L, Chen W, et al. Alcohol consumption and the risk of gastroesophageal reflux disease: A systematic review and meta-analysis. Alcohol Alcohol 2019;54:62-9.

Sobre a autora

Paola Machado é fisiologista do exercício, formada em educação física modalidade em saúde pela UNIFESP (Universidade Federal de São Paulo), mestre em ciências da saúde (foco em fisiologia do exercício e imunologia) e doutoranda em nutrição pela UNIFESP. É autora do Livro Kilorias - Faça do #projetoverão seu estilo de vida (Editora Benvirá). Atualmente, atua como pesquisadora, desenvolvendo trabalhos científicos sobre obesidade, e tem um canal de desafios (30 Dias com Paola Machado) onde testa a teoria na prática. Também é fundadora do aplicativo aplicativo 12 semanas. CREF: 080213-G | SP

Sobre a coluna

Aqui eu compartilharei conteúdo sobre exercício e alimentação para ajudar você a encontrar o caminho para um estilo de vida mais saudável. Os textos são cientificamente embasados e selecionados da melhor forma possível, sempre para auxiliar no seu bem-estar. Mas, lembre-se: a informação profissional é só o primeiro passo da sua nova jornada. O restante do percurso depende 100% de você e da sua motivação para alcançar seu objetivo.

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