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Paola Machado

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Esportes na areia aumentam força e agilidade; veja cuidados ao praticar

Paola Machado

02/10/2019 04h00

Crédito: iStock

Os cariocas e os santistas têm a sorte de ter a praia para praticar esportes, mas saiba que na cidade de São Paulo há cada vez mais adeptos de atividades ao ar livre tem buscado alternativas para praticar esportes em contato com a areia. O futevôlei, por exemplo, tem ganhado destaque.

Futevôlei é uma modalidade brasileira desenvolvida nas praias do Rio de Janeiro no início dos anos de 1960. É um esporte jogado em duplas, trios ou quartetos, e envolve uma combinação do vôlei de praia e futebol. Os principais segmentos que entram em contato com a bola durante o jogo são o os pés, o joelho, a cabeça e o tronco, embora haja envolvimento de mais segmentos corporais em todas as jogadas.

"Nos últimos anos a procura pelo esporte tem sido muito maior, hoje em dia as pessoas buscam muitas atividades ao ar livre e o ambiente pé na areia é convidativo, principalmente para os paulistanos" – diz Gilberto Diniz, presidente da Federação Paulista de Futevôlei, e sócio de um complexo esportivo de futevôlei em São Paulo.

Quais os seus benefícios?

  • Agilidade e coordenação É um esporte que trabalha vários músculos do corpo, equilíbrio, agilidade e coordenação.
  • Musculatura requisitada Os músculos mais trabalhados são os membros inferiores (quadríceps, glúteos e panturrilha), mas há também o uso constante da musculatura das costas e peitoral.
  • Areia e desafio Devido à instabilidade da areia, a força aplicada para atingir os saltos e se mover é maior do que praticar atividades em um piso mais plano. Isso ajuda no aumento do condicionamento físico e da resistência muscular.

Por exigir movimentos mais bruscos para receber a bola o tempo todo, estruturas como cabeça, ombro, joelhos e pés necessitam não apenas de mobilidade, mas de estabilidade e fortalecimento. Apesar de ser uma atividade realizada em um ambiente de pouco impacto, a areia é instável e pode levar ao risco de algumas lesões se o aluno ou profissional não estiverem bem preparados.

Quais as lesões mais frequentes e como prevenir?

No futevôlei a maioria dos movimentos ocorre no plano vertical, diferente do futebol que é no plano horizontal. Ao contrário também do futebol não há contato físico intenso entre os jogadores.

Um dos movimentos mais desafiadores ao corpo acontece ao bater a bola no peito ou nos pés gerando movimentos repetitivos de torção e hiperextensão da coluna lombar. Ao longo do tempo ou se já houver uma lesão prévia pode causar dor e inflamação.

Outro segmento muito utilizado e facilmente lesionado é a musculatura abdutora do quadril, ela é exigida o tempo todo para segurar a bola nos pés e fazer os ataques de bola, portanto os músculos adutores e glúteos devem estar bem fortalecidos, assim como vale a pena investir em mobilidade e flexibilidade de quadril.

Para prevenção de lesões, o importante é focar no preparo da musculatura. Vale focar em um bom programa de fortalecimento de músculos como adutores de quadril, glúteos, paravertebrais e abdômen (core) que são exigidos o tempo todo durante a prática.

Além do fortalecimento, é importante um trabalho de alongamento, mobilidade e estabilidade devido aos movimentos repetitivos e o terreno instável.

Uma dica válida na prática de qualquer esporte ou atividade física é ter o suporte de um profissional especializado.

"Além de jogar, quem pratica qualquer esporte pode investir e complementar a prática com exercícios de musculação, ou até de Pilates. O Pilates tem sido visto como um aliado para prevenção de lesões pois envolve o fortalecimento e alongamento específico, além de trabalhar de forma mais profunda em músculos estabilizadores. Outra ponto positivo para quem joga é investir na Fisioterapia esportiva que poderá auxiliar no fortalecimento e nos gestos esportivos" – diz a fisioterapeuta pela Unifesp Dra. Juliana Satake.

Como recuperar a musculatura após a prática?

Após jogos ou campeonatos, a musculatura precisa se recuperar. Imediatamente após jogos ou campeonatos ou em até 2 horas após a partida, é possível investir em diversas técnicas de recuperação do corpo como a imersão no gelo, bota compressora, liberação miofascial e técnicas de terapia manual para garantir e acelerar a recuperação do corpo.

*Colaboração da Dra. Renata Luri, Fisioterapeuta Doutora em Ciências da Saúde pela Unifesp e do
Dr. Pedro Sasaki, Fisioterapeuta pela Unifesp e fisioterapeuta do Instituto do Joelho do Hcor

Referências:
– Mujika, I., Halson, S., Burke, L. M., Balagué, G., & Farrow, D. AnIntegrated, Multifactorial Approach toPeriodization for Optimal Performance in Individual and Team Sports. InternationalJournalof Sports Physiologyand Performance, v.13, n.5, p. 538–561, 2018.
– Silva C. S, et al. Análise Morfofuncional dos movimentos executados no futvôlei.Rev. Extendere V.5, n.2, 2017.
– Alves, et al. Lesões em atletas de futevôlei . Rev. Bras. Ciênc. Esporte vol.37 no.2, 2015.

Sobre a autora

Paola Machado é fisiologista do exercício, formada em educação física modalidade em saúde pela UNIFESP (Universidade Federal de São Paulo), mestre em ciências da saúde (foco em fisiologia do exercício e imunologia) e doutoranda em nutrição pela UNIFESP. É autora do Livro Kilorias - Faça do #projetoverão seu estilo de vida (Editora Benvirá). Atualmente, atua como pesquisadora, desenvolvendo trabalhos científicos sobre obesidade, e tem um canal de desafios (30 Dias com Paola Machado) onde testa a teoria na prática. Também é fundadora do aplicativo aplicativo 12 semanas. CREF: 080213-G | SP

Sobre a coluna

Aqui eu compartilharei conteúdo sobre exercício e alimentação para ajudar você a encontrar o caminho para um estilo de vida mais saudável. Os textos são cientificamente embasados e selecionados da melhor forma possível, sempre para auxiliar no seu bem-estar. Mas, lembre-se: a informação profissional é só o primeiro passo da sua nova jornada. O restante do percurso depende 100% de você e da sua motivação para alcançar seu objetivo.

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