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12 passos para a alimentação saudável de crianças até 2 anos

Paola Machado

20/11/2019 04h00

Crédito: iStock

Na semana passada, o Ministério da Saúde lançou o Guia Alimentar para Crianças Brasileiras Menores de 2 anos. Este consiste em um documento com as recomendações e orientações alimentares direcionadas ao público infantil.

O objetivo do documento é fornecer as diretrizes nacionais para a família e para os profissionais da saúde referente a alimentação infantil, visando a promoção de saúde e o direito humano a alimentação adequada. Sabe-se que a alimentação tem papel fundamental em todas as etapas da vida, principalmente nos dois primeiros anos de vida, sendo decisiva para o bom crescimento e desenvolvimento infantil e prevenção de doenças em fases posteriores da vida.

Confira as orientações reunidas em 12 passos

AMAMENTAR ATÉ 2 ANOS OU MAIS, OFERECENDO SOMENTE LEITE MATERNO ATÉ 6 MESES O leite materno é um alimento essencial para a nutrição e proteção da criança nos primeiros anos de vida. Desse modo, recomenda-se a sua oferta exclusiva até o 6 mês, sem necessidade de água, chá ou qualquer outro alimento ou bebida.

OFERECER ALIMENTOS IN NATURA OU MINIMAMENTE PROCESSADOS, ALÉM DO LEITE MATERNO, A PARTIR DOS 6 MESES A oferta dos alimentos complementares deve ser iniciada ao 6 mês de vida. Entretanto, a qualidade dos alimentos ofertados nesta fase deve ser levada em consideração. Deve-se priorizar a oferta de alimentos de verdade, ou seja, alimentos in natura ou minimamente processados, que são aqueles alimentos mais naturais. Deve-se evitar ao máximo os produtos industrializados ou ultraprocessados. As papinhas do almoço e do jantar devem ser compostas por diversos grupos de alimentos: feijões, cereais, raízes e tubérculos, legumes, verduras, carnes e frutas. A refeição deve ser preparada com temperos naturais, quantidade mínima de sal e óleo. Não se deve usar temperos industrializados.

OFERECER ÁGUA PRÓPRIA PARA O CONSUMO EM VEZ DE SUCOS, REFRIGERANTES E OUTRAS BEBIDAS AÇUCARADAS. A água é essencial para a hidratação da criança e não deve ser substituída por nenhum outro tipo de líquido, como suco, chá, água de coco e refrigerantes. O açúcar e as bebidas açucaradas (adoçadas) não devem ser ofertadas antes dos dois anos de vida.

OFERECER A COMIDA AMASSADA QUANDO A CRIANÇA COMEÇAR A COMER OUTROS ALIMENTOS ALÉM DO LEITE MATERNO. No início da introdução alimentar, os alimentos devem estar em consistência de purê e ser amassados com o garfo. Não se deve usar liquidificador e mixer para triturar os alimentos. Nem tampouco utilizar peneiras. O alimento deve ser espesso para não escorrer da colher. Os alimentos mais duros, como as carnes, devem ser picados em tamanhos pequenos. Nos meses seguintes ao início da introdução alimentar, deve-se amassar cada vez menos os alimentos. Ao 1 ano de idade a criança já pode realizar as refeições da família.

NÃO OFERECER AÇUCAR NEM PREPARAÇÕES OU PRODUTOS QUE CONTENHAM AÇÚCAR À CRIANÇA ATÉ 2 ANOS DE IDADE. A oferta de açúcar e bebida adoçadas nos primeiros dois anos de vida aumenta a chance da criança apresentar excesso de peso e cárie dentária, além de desestimular o consumo de água. Adicionalmente, a oferta precoce de açúcar acostuma a criança com o paladar doce, dificultando a aceitação de alimentos in natura, como frutas, verduras e legumes. Assim, não se recomenda a oferta de bebidas açúcar e preparações que contenham açúcar até os dois anos de idade.

NÃO OFERECER ALIMENTOS ULTRAPROCESSADOS PARA A CRIANÇA. Os alimentos ultraprocessados ou industrializados, geralmente são ricos em açúcar, sódio, aditivos químicos, adoçantes, conservantes e pobres em nutrientes essenciais ao crescimento da criança. O consumo excessivo destes alimentos aumenta a chance de desenvolvimento de doenças crônicas ao longo da vida, como obesidade, hipertensão arterial, câncer e diabetes mellitus. Além de proporcionarem a adaptação e modular as preferências alimentares de maneira inadequada. Desta maneira, o Ministério da Saúde endossa o que já foi documentado no guia alimentar para a população adulta. Deve-se evitar ao máximo a oferta destes alimentos para as crianças.

COZINHAR A MESMA COMIDA PARA A CRIANÇA E PARA A FAMÍLIA Sugere-se que a mesma comida seja preparada para todos da família, com alimentos in natura ou minimamente processados, sem excesso de óleos e gorduras, sal e ausência de temperos industrializados. Considera-se que a chegada da criança na família torna-se uma oportunidade para melhorar a alimentação da casa. "Cozinhar em casa não é voltar ao passado, é viver o presente e cuidar do futuro". Para conseguir alcançar esta meta, ressalta-se a necessidade de planejar a alimentação da semana, organizar as compras e cozinhar em casa. Uma dica para facilitar o dia-a-dia na cozinha é cozinhar em maior quantidade para congelar uma parte (para consumir em outros dias). As comidas prontas podem ser armazenadas por 3 dias na geladeira. No congelador (existente em geladeiras de 1 porta), a comida pode ser armazenada por 10 dias. No freezer (presente nas geladeiras de duas portas), a comida pode ser armazenada por 30 dias.

ZELAR PARA QUE A HORA DA ALIMENTAÇÃO DA CRIANÇA SEJA UM MOMENTO DE EXPERIENCIA POSITIVAS, APRENDIZADOS E AFETO JUNTO DA FAMÍLIA. O momento da refeição deve ser valorizado pela família. Assim, sugere-se que as refeições sejam feitas junto com a criança, de maneira a despertar o interesse dela pela variedade de alimentos disponíveis, incluindo os legumes e as verduras. O ambiente das refeições deve ser tranquilo e acolhedor. Uma boa relação entre a criança e as pessoas que cuidam dela podem influenciar de maneira positiva na aceitação dos alimentos oferecidos.

PRESTAR ATENÇÃO AOS SINAIS DE FOME E SACIEDADE DA CRIANÇA E CONVERSAR COM ELA DURANTE A REFEIÇÃO. A criança tem a capacidade de manifestar sinais de fome e saciedade. Sabendo disso, os pais e cuidadores devem estar atentos quando a criança demonstra sinais de fome e saciedade. Alimentar a criança é um processo que requer paciência. Portanto, a criança deve ser estimulada a comer, mas sem forçar, mesmo em situações em que ela esteja doente. Também se reconhece a importância de interação com a criança no momento da refeição, de maneira que ela seja estimulada a experimentar novos alimentos. Nesta versão do guia alimentar, orienta-se que sejam EVITADAS distrações durante as refeições, como televisão, celular e tablet, pois retiram o foco do alimento.

CUIDAR DA HIGIENE EM TODAS AS ETAPAS DA ALIMENTAÇÃO DA CRIANÇA E DA FAMÍLIA. A higiene do manipulador do alimento (quem prepara o alimento), da cozinha e dos alimentos previnem doenças na criança e até mesmo na família. Recomenda-se que as mãos sejam lavadas sempre que for cozinhar e alimentar a criança, depois de usar o banheiro, trocar a fralda e realizar outras tarefas. A higiene dos alimentos também requer cuidados. Os alimentos que serão oferecidos crus e com cascas, como as frutas, verduras e legumes precisam ser higienizados corretamente. A higienização correta inclui retirar sujeiras e partes estragadas, lavar, deixar em solução clorada por 10 a 15 minutos e enxaguar em água corrente novamente.

O preparo da solução clorada pode ser feita das seguintes maneiras:

  • Água sanitária (mas só podem ser utilizadas marcas que contenham apenas água e hipoclorito de sódio em sua composição e isentas de alvejantes e perfumes).
  • Água sanitária com 1,0% de hipoclorito de sódio- 2 colheres de sopa para 1 litro do produto.
  • Água sanitária com 2,5% de hipoclorito de sódio- 1 colher de sopa para 1 litro do produto.
  • Produtos específicos para desinfetar os alimentos. Seguir as orientações do fabricante na embalagem do produto. Somente usar água limpa e vinagre não é suficiente para eliminar os microorganismos que podem causar doenças ao bebê.

OFERECER A CRINÇA ALIMENTAÇÃO ADEQUADA E SAUDAVEL TAMBÉM FORA DE CASA O Ministério da Saúde incentiva que as refeições realizadas fora de casa sejam planejadas para os pequenos. Quando for sair com a criança, leve os alimentos que ela está acostumada a comer em casa, pois muitos alimentos in natura e minimamente processados (frutas, legumes crus e frutas secas) podem ser mantidas em temperatura ambiente por algum tempo. Até mesmo as papinhas, como almoço e jantar, podem ser levadas em recipiente térmico.

PROTEGER A CRIANÇA CONTRA A PUBLICIDADE DE ALIMENTOS A publicidade dos alimentos infantis influencia diretamente na aceitação da criança. Assim, recomenda-se que a criança não seja exposta a este tipo de propaganda, pois ainda não tem a capacidade de discernimento. Portanto, esta criança precisa ser protegida ao máximo desta exposição. O Ministério da Saúde endossa que crianças menores de dois anos NÃO DEVEM utilizar televisão, celular, computador e tablet.

*Colaboração da Dra. Deborah Masquio, nutricionista clínica funcional, clínica 12 semanas e pesquisadora da UNIFESP.

 

Referência:
– Brasil, Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção Primária a Saúde. Departamento de Promoção da Saúde. Guia Alimentar para Crianças Brasileiras Menores de 2 anos. Brasília, 2019.

Sobre a autora

Paola Machado é fisiologista do exercício, formada em educação física modalidade em saúde pela UNIFESP (Universidade Federal de São Paulo), mestre em ciências da saúde (foco em fisiologia do exercício e imunologia) e doutoranda em nutrição pela UNIFESP. É autora do Livro Kilorias - Faça do #projetoverão seu estilo de vida (Editora Benvirá). Atualmente, atua como pesquisadora, desenvolvendo trabalhos científicos sobre obesidade, e tem um canal de desafios (30 Dias com Paola Machado) onde testa a teoria na prática. Também é fundadora do aplicativo aplicativo 12 semanas. CREF: 080213-G | SP

Sobre a coluna

Aqui eu compartilharei conteúdo sobre exercício e alimentação para ajudar você a encontrar o caminho para um estilo de vida mais saudável. Os textos são cientificamente embasados e selecionados da melhor forma possível, sempre para auxiliar no seu bem-estar. Mas, lembre-se: a informação profissional é só o primeiro passo da sua nova jornada. O restante do percurso depende 100% de você e da sua motivação para alcançar seu objetivo.

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