Fórmulas infantis: o que são e quando utilizar esse tipo de alimento

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O aleitamento materno é a primeira opção de escolha para alimentar os recém-nascidos, sendo de maneira exclusiva até os 6 meses e complementada com outros alimentos por 2 anos ou mais. De fato são poucas as contraindicações para o aleitamento materno, como: mães infectadas pelo HIV; mães infectadas pelo HTLV1 e HTLV2; uso de medicamentos incompatíveis com a amamentação; e casos de crianças portadoras de galactosemia.
Quando a criança não pode receber o leite materno
As fórmulas infantis para os lactentes devem ser utilizadas em situações quando não é possível realizar o aleitamento materno. Esta recomendação é sugerida pela Sociedade Brasileira de Pediatria, Ministério da Saúde e por diversas sociedades internacionais. Conceitualmente as fórmulas infantis para lactentes são definidas como o produto, em forma líquida ou em pó, utilizado sob prescrição, especialmente fabricado para satisfazer as necessidades nutricionais dos lactentes durante os primeiros seis meses de vida (5 meses e 29 dias). A fórmula infantil de seguimento para lactentes e crianças de primeira infância é o produto, em forma líquida ou em pó, utilizado quando indicado, para lactentes a partir do sexto mês de vida até doze meses de idade incompletos (11 meses e 29 dias) e para crianças de primeira infância (crianças de doze meses até três anos de idade, ou seja, até os 36 meses).
Composição nutricional das fórmulas infantis
Todas as fórmulas disponíveis no Brasil devem seguir resoluções da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA RDC nº 43 e 44/2011), que orienta as quantidades de nutrientes que podem ser acrescidos à composição das fórmulas. As fórmulas infantis foram criadas com o intuito de se assemelhar ao leite materno, no entanto sua composição não se iguala as propriedades fisiológicas que o leite materno exerce. As fontes de carboidratos, proteínas e outros componentes presentes nas fórmulas infantis diferem em identidade e qualidade dos componentes do leite materno. A maioria das fórmulas disponíveis no mercado são originados do leite de vaca, apesar de já existirem disponíveis algumas opções de formulas à base de soja e de arroz. Confira a composição das fórmulas infantis derivadas do leite de vaca e o comparativo com o leite materno:
- Gordura Mistura de óleos vegetais que fornecem os ácidos graxos essenciais, como ômega 6 (ácido linoleico e ARA) e ômega 3 (ácido alfa-linolênico e DHA).
- Carboidratos Contêm lactose apenas ou associação de lactose com polímeros de glicose (maltodextrina).
- Proteínas Contêm proteínas do leite de vaca, como proteínas do soro (beta-lactoglobulina) e caseína (alfa-caseina), encontradas na forma polimérica (proteína intacta) ou parcialmente hidrolisada. Algumas fórmulas infantis possuem redução proteica e melhor perfil de aminoácidos.
- Vitaminas e minerais Modificação nas quantidades, tentando se aproximar ao leite materno.
Outros componentes das fórmulas
- Oligossacarídeos, prebióticos São carboidratos biologicamente ativos que modulam de forma benéfica a microbiota intestinal do lactente, assim como o desenvolvimento do intestino, do sistema imunológico e neurológico. O leite humano apresenta mais de 200 tipos em sua composição. As fórmulas infantis até o momento apresentam apenas o acréscimo de dois tipos de prebióticos, o GOS e o FOS.
- Probióticos São microorganismos vivos capazes de alterar e impactar no funcionamento do intestino e na formação da microbiota intestinal, produzindo efeitos benéficos à saúde quando consumidos em quantidades adequadas. De acordo com dados mais recentes, o leite materno possui mais de 200 tipos de cepas bacterianas. Em alguns países já são comercializadas fórmulas para lactentes adicionadas com probióticos e/ou prebiótico.
O que precisamos saber…
Apesar das fórmulas infantis serem produzidas para atender as necessidades do bebê, sua composição ainda está muito distante da composição do leite materno. O leite materno apresenta em sua composição fatores imunológicos, hormônios, fatores de crescimento, enzimas, anticorpos, substâncias antibacterianas, antivirais, anti-inflamatórias, antiparasitárias que relacionam-se a redução de doenças no primeiro ano de vida e que NÃO SÃO encontradas em nenhuma fórmula infantil. Ademais, a prática do aleitamento materno estimula o vínculo mãe e filho, devido o contato pele-a-pele no momento da mamada. Os olhos nos olhos e o contato contínuo entre mãe e bebe fortalecem os laços afetivos, oportunizando intimidade, troca de afeto e sentimentos de segurança e de proteção na criança e de autoconfiança e de realização na mulher. Acredita-se que a amamentação traga benefícios psicológicos para a criança e para a mãe.