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Existem 9 tipos de fome: como identificar qual é a sua

Paola Machado

02/12/2019 04h00

Crédito: iStock

Vivemos um grande paradoxo alimentar. Ao mesmo tempo que a alimentação é complexa, ela é simples; queremos a abundância, mas focam na restrição. E aí caímos na dicotomia: "esse alimento é bom e esse é ruim".

Compartilhei com vocês um texto bem bacana sobre o sinal que a barriga nos dá, que vai muito de encontro a esse texto. Hoje abordarei com você os nove tipos de fome, exposto por Jan Chozen Bays, que é uma abordagem do "mindful eating" — alimentação consciente — nos ajuda a sair do piloto automático e entrar em um estado de consciência. Uma vez que estamos conscientes, a ansiedade que vem saborear nossa alimentação se dissipa e é substituída por curiosidade, descoberta, prazer – e até alegria.

Quando as pessoas aprendem sobre os nove tipos de fome pela primeira vez, elas podem se sentir sobrecarregadas e até confusas, afinal "uma já é difícil de entender, agora nove?". Parece tantas coisas para se lembrar, porém, o que você deve saber é que esses são nove aspectos do conjunto de sensações, pensamentos e emoções corporais que reunimos e que exteriorizamos na simples frase "estou com fome". Eles já estão presentes; estamos apenas tomando consciência de cada um com uma curiosidade gentil. É uma habilidade que qualquer um pode aprender.

Uma maneira de lembrar de como avaliar todos os tipos de fome é apontando ou tocando as partes do corpo envolvidas. Você começa descendo de cima, apontando para os olhos, depois os ouvidos, o nariz, a boca, o estômago, o tronco — para a fome chamada de "celular" e fisiológica —, na sequencia a cabeça para a fome da mental e para o peito para a fome do coração, ou seja, a emocional e, por fim, prestar atenção no tato e sensações físicas, onde você pode perguntar sobre quais texturas gostaria.

Você pode destacar os cinco mais importantes, atraentes ou confusas para você, por exemplo, a boca, estômago, células, mente e coração. No início, as pessoas também podem estar preocupadas com o fato de que levarão "muito tempo" para avaliar qual o tipo de fome cada vez que elas se sentam para comer. Entenda que, como qualquer nova habilidade, é necessário treinamento, e isso não é rápido e, na grande maioria das vezes, é difícil fazê-lo sozinho — por isso é tão importante procurar profissionais habilitados que te conduza da forma mais adequada.

Mas enfim, a prática leva ao entendimento e se você praticar os tipos de fome toda vez que comer, em alguns dias ou semanas você aprenderá a fazer uma avaliação consciente das suas escolhas. De fato, alguém sentado à mesa com você pode nem perceber que está fazendo algo além de ficar quieto por um minuto. Se você se lembrar de fazer essa avaliação rápida novamente, no meio da refeição e, especialmente, antes de pegar mais um prato, pode ser muito útil para ajustar os tipos e quantidades de alimentos que você come para atender às reais necessidades do seu corpo. Por isso, quando você sabe, de fato, qual a sua necessidade, você tem liberdade de fazer sua escolha.

Quando você aprende a despertar a consciência, tudo fica mais fácil, pois você não está mais condicionado aos hábitos antigos. Assim, você começa a jornada para a liberdade.

Jan Chozen dá um exemplo bem legal que vale colocar aqui. Isso tudo é como um motorista de ônibus com nove passageiros indisciplinados. Cada passageiro está lhe dizendo como dirigir — um mais rápido, outro mais devagar — e para onde ir — vá ao Shopping, não, à padaria, não, leve-me ao ponto próximo da minha casa. Seria desastroso se o motorista do ônibus reagisse emocionalmente a toda essa informação. O motorista precisa ouvir, levar em consideração o que cada passageiro está dizendo e, em seguida, tomar uma decisão informada, sábia e compassiva sobre como dirigir e para onde ir. Assim, através da alimentação consciente, você e seu corpo — o motorista do veículo –, aprenderão a ouvir as informações dos nove aspectos da fome e tomarão uma decisão informada, sábia e compassiva sobre o que comer, quanto e com que rapidez comer.

Outro exemplo. Digamos que você tenha comido e está pronto para decidir tomar uma segunda porção de sobremesa. Você confere os nove aspectos da fome. Os olhos dizem: "Adoro a cor vermelha dos morangos que acabamos de comer". A boca diz: "Concordo, vamos comer outro bolo de morango com muito chantilly. Adoro o contraste de massa folhada, frutas suculentas e chantilly". O estômago diz: "Estou muito cheio e ainda tenho mais de uma hora de trabalho para processar o que você já me deu. Lembra-se de como é desconfortável ficar cheio demais? "As células dizem:" Já temos muitos nutrientes bons e gordura suficiente. Não há necessidade de mais."A mente diz:" Você está brincando? Você já ingeriu o suficiente! "O coração diz:" Sinto-me feliz e aliviado comendo sobremesas  – vamos comer mais".

Quando você traz para seu amplo espaço de consciência, leva em consideração a contribuição desses aspectos da fome. Você decide comer mais quatro morangos e um pouquinho de chantilly e comer o que sua própria sabedoria e compaixão escolheram conscientemente. Você come devagar e com toda a atenção e descobre que a experiência é íntima e surpreendentemente satisfatória — e não provoca ressaca de arrependimento e recriminação que todo um biscoito teria criado.

Quando traz para a consciência, tudo fica mais fácil e você entenderá que sempre a escolha é sua.

Sobre a autora

Paola Machado é fisiologista do exercício, formada em educação física modalidade em saúde pela UNIFESP (Universidade Federal de São Paulo), mestre em ciências da saúde (foco em fisiologia do exercício e imunologia) e doutoranda em nutrição pela UNIFESP. É autora do Livro Kilorias - Faça do #projetoverão seu estilo de vida (Editora Benvirá). Atualmente, atua como pesquisadora, desenvolvendo trabalhos científicos sobre obesidade, e tem um canal de desafios (30 Dias com Paola Machado) onde testa a teoria na prática. Também é fundadora do aplicativo aplicativo 12 semanas. CREF: 080213-G | SP

Sobre a coluna

Aqui eu compartilharei conteúdo sobre exercício e alimentação para ajudar você a encontrar o caminho para um estilo de vida mais saudável. Os textos são cientificamente embasados e selecionados da melhor forma possível, sempre para auxiliar no seu bem-estar. Mas, lembre-se: a informação profissional é só o primeiro passo da sua nova jornada. O restante do percurso depende 100% de você e da sua motivação para alcançar seu objetivo.

Paola Machado