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Estou grávida, como prevenir a diástase abdominal?

Paola Machado

24/12/2019 04h00

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A diástase abdominal consiste no afastamento dos músculos do abdome e da fáscia (tecido que conecta os músculos – Linha Alba) bem no meio do abdome em uma linha vertical.

Em uma pesquisa recente de 2019, 33% das gestantes apresentaram esse afastamento no segundo trimestre de gestação, e 100% no terceiro trimestre. Após o parto, cerca de 23 a 32% das mulheres permaneceram com a diástase por mais um ano.

Na gravidez ocorrem muitas mudanças hormonais que alteram a elasticidade dos músculos e fáscias. O útero aumenta de tamanho, a postura e o centro de gravidade se modificam ao longo dos trimestres e a pressão interna do abdome vai crescendo, portanto, é esperado um alongamento dos músculos do abdome e da linha alba. No entanto, há um limite numérico funcional para esse afastamento e alongamento dos músculos.

Profissionais de saúde especializados em gestantes são aptos a fazer a avaliação física para palpar o abdome e avaliar o quanto os músculos se afastaram. É considerado patológico quando há uma distância acima de 1,5 cm na porção superior da linha alba, 2,2 a 3 cm acima do umbigo e 1,6 a 2 cm abaixo do umbigo.

Quais os problemas envolvidos na diástase abdominal?

  • Prejudica o funcionamento adequado dos músculos: gera fraqueza muscular pois um músculo muito alongado e sem a direção correta das fibras perde eficiência e qualidade de contração.
  • Gera dores e problemas uroginecológicos: a fraqueza, por sua vez, pode gerar instabilidade postural, dores lombares, pélvicas e lombopélvicas. Há evidências de que se relacionam a problemas uroginecológicos como a queda de órgãos pélvicos (prolapsos). A fáscia tem função importante na manutenção dos movimentos da coluna e equilíbrio da pressão intra-abdominal. Esta pressão aumenta quando tossimos, fazemos força ou carregamos pesos excessivos, caso haja um alongamento em excesso há a perda dessa capacidade de estabilização.

Prevenção da diástase abdominal

Se a diástase abdominal gera tantos problemas ortopédicos e uroginecológicos, como podemos previní-la? Uma das maiores crenças envolve o fato de que muitas mulheres acreditam que fazer exercícios físicos pré e durante a gravidez é a garantia certa de que jamais irão desenvolver a diástase, o que é um MITO.

Infelizmente, não há uma receita pronta que previna a diástase, a ciência não tem um consenso sobre um método mais eficaz.

E isso acontece pois é importante entender que o corpo de cada mulher se desenvolve de forma distinta na gravidez, sofrendo influências hormonal e genética diferentes, com memórias de movimento, consciência corporal e rotinas completamente variadas.

Vamos listar 3 dicas importantes para você que acha que tem diástase ou tem medo de ter na sua gravidez:

1. Procure um fisioterapeuta especializado em obstetrícia: esse profissional está apto a avaliar e fornecer a conduta específica para o seu caso. Há diversos programas de prevenção e tratamento, entre eles: fortalecimento do músculo transverso e reto do abdômen, treino postural, exercícios respiratórios, reeducação postural, pilates, treino funcional, técnicas de Tupler, ou de Noble e terapia manual. Qual é o melhor para você? A escolha da melhor abordagem é viável apenas após uma avaliação individualizada que analisa suas deficiências, vícios posturais e comportamentais.

Enquanto não chegar o dia da consulta com o fisioterapeuta, você pode começar fazendo duas coisas muito importantes:

2. NÃO faça abdominal tradicional de erguer a cabeça e o tronco na posição deitada tampouco faça abdominal lateral. Esses exercícios aumentam a pressão interna do abdome e pioram a diástase quando não bem orientados! Se você já pratica exercícios, pode continuar fazendo os exercícios de braços e pernas.

3. NÃO faça exercícios de alto impacto e/ou que não permitam a continência urinária, ou seja, exercícios que facilitem o escape de urina! Entenda que o escape de urina significa que a pressão abdominal está muito alta e os músculos do abdome e do períneo (músculo que segura o escape de urina) não aguentam lidar com essa pressão, prejudicando a tensão gerada na linha alba.

*Colaboração da Dra. Renata Luri, Doutora pela UNIFESPda Dra. Angela May, Fisioterapeuta Especializada em Saúde da Mulher pela UNICAMP

Referências:
– Benjamin DR, Frawley HJ, Shields N, et al., 2019. Relationship between diastasis of the rectus abdominais muscle (DRAM) and musculoskeletal dysfunctions, pain and quality of life: a systematic review. Physiotherapy, mar 105 (1): 24-34.
– Dufour S, Bernard S, Murray-Davis B, et al., 2019. Practice-based recommendations for diastasis recti abdomins. Journal of Women´s Health Physical Therapy, 43(2): 73-81.
– Gluppe SL, Hilde G, Tennfjord MK, et al., 2018. Effect of a postpartum training program on the prevalence of diastasis recti abdominis in postpartum primiparous women: a randomized controlled trial. Physical Therapy, 98 (4): 260-8.
– Michalska A, Rokita W, Wolder D et al., 2018. Diastasis recti abdominais – a review of treatment methods. Ginekologia Polska, 89 (2): 97-101.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre a autora

Paola Machado é fisiologista do exercício, formada em educação física modalidade em saúde pela UNIFESP (Universidade Federal de São Paulo), mestre em ciências da saúde (foco em fisiologia do exercício e imunologia) e doutoranda em nutrição pela UNIFESP. É autora do Livro Kilorias - Faça do #projetoverão seu estilo de vida (Editora Benvirá). Atualmente, atua como pesquisadora, desenvolvendo trabalhos científicos sobre obesidade, e tem um canal de desafios (30 Dias com Paola Machado) onde testa a teoria na prática. Também é fundadora do aplicativo aplicativo 12 semanas. CREF: 080213-G | SP

Sobre a coluna

Aqui eu compartilharei conteúdo sobre exercício e alimentação para ajudar você a encontrar o caminho para um estilo de vida mais saudável. Os textos são cientificamente embasados e selecionados da melhor forma possível, sempre para auxiliar no seu bem-estar. Mas, lembre-se: a informação profissional é só o primeiro passo da sua nova jornada. O restante do percurso depende 100% de você e da sua motivação para alcançar seu objetivo.

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