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Toque tem poder terapêutico no desenvolvimento das crianças

Paola Machado

21/01/2020 04h00

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Você sabe qual o maior órgão que existe no nosso corpo? A pele. Ela permite a regulação térmica, defesa física e imunológica e é responsável pelas informações sensoriais como tato, pressão, calor e dor.

Entre os cinco sentidos que temos, o estímulo do tato, o toque, é responsável por diversos benefícios a sua saúde. A capacidade tátil é desenvolvida a partir da 6ª semana de vida intrauterina. Estudos comprovam que desenvolvemos nossa autoimagem corporal graças ao toque que recebemos ao nascer, e isso pode nos influenciar em relação a autoconfiança ao longo de toda nossa vida.

Diversos estudos comprovam o papel dos estímulos táteis na produção de hormônios que relaxam e geram bem-estar. Para se ter ideia, mesmo dentro do útero reagimos mais ao estímulo de toque do que ao estímulo da voz.

Dentre os mamíferos, os seres humanos são os que nascem mais imaturos. A privação de toque pode desenvolver problemas respiratórios, no desenvolvimento cognitivo e até levar à morte.

Depois do nascimento, há uma fase exterogestacional que representa praticamente uma fase complementar da gestação. Essa fase ocorre nos meses seguintes ao nascimento e é muito importante para o desenvolvimento do bebê. Além dos estudos sobre efeitos neurofisiológicos, há evidências que relatam que o benefício do toque nessa fase influencia no desenvolvimento e no aprendizado, além de influenciar no aumento do peso de bebês.

Além desses diversos benefícios, o toque que os pais fazem intuitivamente no bebê fortalece a criação do vínculo afetivo. Os pesquisadores comprovam que o desenvolvimento bio-psíquico-emocional ocorre na criança quando é dado o estímulo aliado ao contato afetivo.

Essa pode ser uma das razões da popularidade da Shantala, a massagem indiana feita em bebês. O recurso é indicado às gestantes e às mães com bebês até os seis meses de idade. No Brasil, a técnica se enquadra dentro das Práticas Integrativas e Complementares (PICS) e é reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS). A ciência comprova que a massagem para bebês reduz as cólicas, auxilia a digestão, assim como melhora a imunidade e a frequência cardíaca nos recém-nascidos.

Os benefícios do toque também se estendem para os adultos. Pesquisas comprovam o papel do toque terapêutico na diminuição do nível de açúcar em pessoas com diabetes mellitus. Além disso, a massagem terapêutica aponta melhora da irritação, da ansiedade, do estresse e da depressão em adultos.

Alguns estudos sugerem a melhora do funcionamento dos sistemas digestivo e excretor. Além desses benefícios, outro já bem conhecido é o papel da massagem para diminuir a tensão muscular, dissipando dores musculares e articulares e melhorando a vascularização e até o reparo da musculatura.

Assim, se você é do time que não abre mão de uma massagem, agora tem mais um motivo para manter as sessões.

A ciência já comprova seus diversos benefícios e receber uma sessão de massagem não é luxo, é praticamente necessidade! Os efeitos terapêuticos são essenciais para o desenvolvimento físico, afetivo, mental e social de uma criança e para a manutenção do equilíbrio psicofísico do adulto.

*Colaboração da Fisioterapeuta pela UNIFESP, Dra. Angela May e da Fisioterapeuta pela UNIFESP, Dra. Renata Luri

Referências:
– Acesso: https://www.conass.org.br/cresce-46-procura-por-praticas-integrativas-complementares-no-sus/
– Braun MB, Simonson S. Massoterapia. 2007, Barueri, São Paulo.
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– Kutner, S., Smith, M., Corbin, L., Kemphill, l., Benton, K., & Mellis, K. (2008). Massage therapy versus simple touch to improve pain and mood in patients with advanced cancer: A randomized trial. Annals of Internal Medicine, 149(6), 369-379.
– Meleis, Afaf (2012). Theoretical nursing: Development & progress (5th ed.). Philadelphia: Wolters Kluwer.
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– Sui-Whi, J., Wilkie, D., Gallucci, B., Beaton, R., & Huang, H. (2011). Effects of massage on pain, mood status, relaxation, and sleep in Taiwanese patients with metastatic bone pain. A randomized clinical trial. Pain, 152(10), 2432-2442.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre a autora

Paola Machado é fisiologista do exercício, formada em educação física modalidade em saúde pela UNIFESP (Universidade Federal de São Paulo), mestre em ciências da saúde (foco em fisiologia do exercício e imunologia) e doutoranda em nutrição pela UNIFESP. É autora do Livro Kilorias - Faça do #projetoverão seu estilo de vida (Editora Benvirá). Atualmente, atua como pesquisadora, desenvolvendo trabalhos científicos sobre obesidade, e tem um canal de desafios (30 Dias com Paola Machado) onde testa a teoria na prática. Também é fundadora do aplicativo aplicativo 12 semanas. CREF: 080213-G | SP

Sobre a coluna

Aqui eu compartilharei conteúdo sobre exercício e alimentação para ajudar você a encontrar o caminho para um estilo de vida mais saudável. Os textos são cientificamente embasados e selecionados da melhor forma possível, sempre para auxiliar no seu bem-estar. Mas, lembre-se: a informação profissional é só o primeiro passo da sua nova jornada. O restante do percurso depende 100% de você e da sua motivação para alcançar seu objetivo.

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