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Às vezes, excesso de alguns nutrientes pode trazer problemas; saiba quando

Paola Machado

31/01/2020 04h00

iStock

Ouvimos tanto falar em deficiências nutricionais que, por vezes, nos esquecemos de que os excessos também não são desejáveis. Aquela mania clássica de consumir suplementos nutricionais por conta própria, de forma indiscriminada e sem nenhuma individualização, pode trazer muitos problemas. Vou identificar aqui alguns nutrientes que podem ter desdobramentos negativos quando consumidos de forma excessiva e, por vezes, contínua. Saiba que abaixo teremos alguns exemplos e que estas condições não se limitam apenas a eles:

Vitamina A 

Não confunda com betacaroteno, pois são nutrientes diferentes. A vitamina A, identificada de forma mais frequente como retinol, é encontrada em alimentos de origem animal como leite, queijos, carnes, ovos e desempenha papéis muito positivos no campo visual, imunológico e de crescimento, o que não justifica o seu consumo excessivo e indiscriminado. Quando isto acontece, podemos identificar alterações na pele (semelhantes a uma dermatite), sobrecarga na função hepática e, em gestantes, malformações fetais.

Vitamina E

Nutriente essencial para a proteção das nossas membranas celulares (estrutura), a vitamina E pode ser encontrada predominantemente em gérmen de trigo, óleos vegetais, castanhas e na gema do ovo. Desempenha função antioxidante, sendo facilmente encontrada nos alimentos, justificando que apenas em situações muito específicas devemos suplementá-la, e sempre com monitoramento de um profissional, já que em dosagens excessivas ela pode interferir negativamente com outros nutrientes como vitamina A e algumas vitaminas do complexo B. Deve ser dada uma atenção especial ao armazenamento de seus alimentos fonte para que a mesma não reaja intensamente com o oxigênio, perdendo parte de suas propriedades, portanto, guarde estes alimentos em ambiente protegido da luz e calor excessivos.

Gorduras

Vamos pensar nas gorduras como um todo, tanto as conhecidas como saturadas, trans e poli-insaturadas. Obviamente devemos estar sempre atentos a qualidade das gorduras que comemos, escolhendo aqueles alimentos conhecidos como os mais saudáveis (castanhas, nozes, pistaches, avelãs, azeite, óleo de girassol) e evitando as gorduras fornecidas pelos alimentos industrializados (trans) ou saturadas, mais predominantes nos alimentos de origem animal porém, não podemos nos esquecer de que independentemente do tipo de gordura, este nutriente sempre fornecerá 9 calorias por grama, o que em excesso poderá contribuir com o ganho de peso e aumento de adiposidade, condições que associadas ao sedentarismo, genética e doenças associadas (diabetes inflamação, hipertensão, entre outros) poderá ser altamente prejudicial à saúde.

Ômega 3

Conhecido por seus benefícios relacionados ao processo inflamatório, quando em excesso pode gerar alterações no processo de coagulação. O seu consumo deve acontecer de forma cuidadosa, após avaliação das reais necessidades do indivíduo, inclusive no consumo alimentar, já que precisa estar alinhado com o consumo de Ômega 6 também. Encontramos este nutriente de forma sintética, como suplementos nutricionais, ou em peixes de águas frias e com grande quantidade de gordura corporal; a linhaça também fornece importantes compostos que poderão ser "precursores" do ômega 3.

Para ter uma ideia mais clara preparamos uma tabela com os valores que demonstram as necessidades destes nutrientes, para indivíduos adultos.

Viu só? Nada é unilateral, inclusive as quantidades consumidas diariamente dos nutrientes e, para esta afirmação, cabe um alerta: coma mais alimentos frescos e da estação e consuma menos encapsulados já que a assimilação de um nutriente presente no alimento nunca será igual àquela "produzida" em laboratório. Além disto, cada indivíduo tem necessidades individuais e específicas que somente um profissional da saúde terá condições de avaliar e adequar. Lembre-se de que quando em excesso, os nutrientes irão interagir entre si, muitas vezes prejudicando a ação de um terceiro em nosso corpo, sem contar os seus efeitos prejudiciais diretos. Fique sempre atento e não compre suplementos nutricionais por conta própria, pedindo auxílio a um profissional da área.

*Colaboração da nutricionista comportamental e clínica na clínica 12 semanas Dra. Samantha Rhein (Unifesp)

Referências:
– Cozzolino, S.M.F. Biodisponibilidade dos Nutrientes. 5ª ed. Ed. Manole, 2016.
– Tabela Brasileira de Composição dos Alimentos (TACO). Ministério da Saúde, 2011.
– https://ilsibrasil.org/

Sobre a autora

Paola Machado é fisiologista do exercício, formada em educação física modalidade em saúde pela UNIFESP (Universidade Federal de São Paulo), mestre em ciências da saúde (foco em fisiologia do exercício e imunologia) e doutoranda em nutrição pela UNIFESP. É autora do Livro Kilorias - Faça do #projetoverão seu estilo de vida (Editora Benvirá). Atualmente, atua como pesquisadora, desenvolvendo trabalhos científicos sobre obesidade, e tem um canal de desafios (30 Dias com Paola Machado) onde testa a teoria na prática. Também é fundadora do aplicativo aplicativo 12 semanas. CREF: 080213-G | SP

Sobre a coluna

Aqui eu compartilharei conteúdo sobre exercício e alimentação para ajudar você a encontrar o caminho para um estilo de vida mais saudável. Os textos são cientificamente embasados e selecionados da melhor forma possível, sempre para auxiliar no seu bem-estar. Mas, lembre-se: a informação profissional é só o primeiro passo da sua nova jornada. O restante do percurso depende 100% de você e da sua motivação para alcançar seu objetivo.

Paola Machado