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Exercícios leves ou intensos de curta duração turbinam sua imunidade

Paola Machado

03/02/2020 04h00

Crédito: iStock

Quando nos exercitamos, diversos sistemas são alterados como o metabólico, o muscular e o imunológico. Diferentes estímulos e o tipo de exercício físico determinam essas mudanças que ocorrem durante e após os exercícios, tanto aeróbicos quanto resistidos.

Em relação à resposta imune, a Ciência já comprova uma menor incidência de infecções bacterianas e virais, e até mesmo uma menor incidência de neoplasias em indivíduos que praticam regularmente atividades físicas.

No entanto, é importante compreender o corpo e o limite para que o exercício seja um "booster" para sua imunidade uma vez que ele varia conforme a intensidade e duração, impactando diretamente a influência no limiar de saúde e doença na sua vida. Além disso, os benefícios dependem de influências hormonais e de fatores como a qualidade do sono e da alimentação, reparo muscular, regularidade do exercício, e podem ocorrer tanto a curto quanto a longo prazo.

A prática de exercício físico regular de leve a moderada intensidade promove a melhora da resposta imune e a menor incidência de infecções. A Sociedade Internacional de Exercício e Imunologia (ISEI) preconiza que a disfunção imune observada após o exercício é mais pronunciada quando o exercício é prolongado (> 1,5h) e realizado em intensidade alta.

Exercícios leves, de curta duração ou moderados parecem estar relacionado ao aumento da defesa do organismo.

Como? De uma maneira geral, o exercício de intensidade moderada promove proteção contra infecções causadas por microrganismos intracelulares, pois direciona a resposta imune para a predominância de células Th1. O mecanismo de melhora da defesa está associado à um efeito da atividade física regular em promover um aumento das linfócitos, células "natural killers", que tem capacidade de destruir células tumorais ou infectadas. Outro fator que colabora para a proteção do organismo é o fato de a atividade física promover a diminuição do estresse.

Qual o papel do estresse na imunidade?

A redução do estresse faz com que o organismo se fortaleça e fique menos suscetível. Pode proporcionar benefícios à saúde, melhorando o sistema imunológico, à composição corporal reduzindo a gordura corporal e a qualidade de vida.

Exercício mais extenuantes e prolongados parecem diminuir a imunidade. Por exemplo, durante uma maratona há a liberação de hormônios que podem piorar a imunidade.

Como? Atividades de alta intensidade geram aumento das concentrações de citocinas que visam a diminuição dos danos nos músculos, o que pode levar a uma maior vulnerabilidade a infecções. Em atletas de alta performance, há diminuição transitória da resposta imune, de 3 a 72 h após o fim dos exercícios. Por isso, a importância de se descansar adequadamente e recuperar o corpo. Além disso, exercícios intensos sem recuperação muscular também promovem maior risco de lesão, com processo inflamatório exacerbado, maior fadiga muscular e queda significativa do desempenho.

  • Overtraining clínico que produz vários sintomas ou alterações, entre eles a queda da imunidade do atleta, e maior vulnerabilidade ao aparecimento das infecções.

Respeite sempre seu corpo e faça da atividade física sua aliada! De acordo com a Sociedade internacional de Imunologia do Exercício recomenda-se a interrupção do exercício caso apresente sinais de infecções como febre, mal estar e dores de cabeça. Procure um profissional de saúde para mais orientações.

*Colaboração da Fisioterapeuta Doutora em Ciências da Saúde pela Unifesp, Dra. Renata Luri e da Fisioterapeuta pela Unifesp, Dra. Juliana Satake 

Referências:
– Gleesson, N et al. The anti-inflammatory effects of exercise: mechanisms and implications for the prevention and treatment of disease , 2011.
– Guia de Imunização do Atleta Profissional SBIm, 2014.
– Terra, R., da Silva, S.A,., Lourenço, P.M., EFEITO DO EXERCÍCIO NO SISTEMA IMUNE: RESPOSTA, ADAPTAÇÃO E SINALIZAÇÃO CELULAR EFFECT OF EXERCISE ON IMMUNE SYSTEM: RESPONSE, ADAPTATION AND CELL. Rev Bras Med Esporte – Vol. 18, No 3 – Mai/Jun, 2012.
– SBI. Acesso em 16/10/2019: https://sbi.org.br/.
– Kimsa M, Strzalka-Mrozik B, Kimsa M, Gola J, Kochanska-Dziurowicz A, Zebrowska A, Janikowska G, Mazurek U, Jonczyk S. Expression pattern of the transforming growth factor β signaling genes in human peripheral blood mononuclear cells after exercise-inflammatory aspects. Am J Hum Biol. 2012 Nov-Dec;24(6):859-62. doi: 10.1002/ajhb.22311. Epub 2012 Aug 22.
– Thomas, J. The anti-inflammatory effects of exercise: mechanisms and implications for the prevention and treatment of disease, 2013.
– Walsh, N. et al. Position Statement Part One: Immune function and exercise, 2011.
– Walsh NP, Gleeson M, Pyne DB, Nieman DC, Dhabhar FS, Shephard RJ, et al. Position Statement Part two: Maintaining immune health. Exerc Immunol Rev 2011;17:64-103.

Sobre a autora

Paola Machado é fisiologista do exercício, formada em educação física modalidade em saúde pela UNIFESP (Universidade Federal de São Paulo), mestre em ciências da saúde (foco em fisiologia do exercício e imunologia) e doutoranda em nutrição pela UNIFESP. É autora do Livro Kilorias - Faça do #projetoverão seu estilo de vida (Editora Benvirá). Atualmente, atua como pesquisadora, desenvolvendo trabalhos científicos sobre obesidade, e tem um canal de desafios (30 Dias com Paola Machado) onde testa a teoria na prática. Também é fundadora do aplicativo aplicativo 12 semanas. CREF: 080213-G | SP

Sobre a coluna

Aqui eu compartilharei conteúdo sobre exercício e alimentação para ajudar você a encontrar o caminho para um estilo de vida mais saudável. Os textos são cientificamente embasados e selecionados da melhor forma possível, sempre para auxiliar no seu bem-estar. Mas, lembre-se: a informação profissional é só o primeiro passo da sua nova jornada. O restante do percurso depende 100% de você e da sua motivação para alcançar seu objetivo.

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