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Prefere o dia ou a noite? Explicação está no seu ritmo biológico

Paola Machado

06/02/2020 04h00

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Você já se deu conta de que o organismo das pessoas funciona de forma diferente? Algumas pessoas acordam cedo e são muito produtivas, enquanto outras precisam dormir até mais tarde e, mesmo assim, muitas vezes ainda acordam esgotadas.

Na alimentação não é diferente e em consultório muitas vezes nos deparamos com algumas pessoas que não conseguem comer pela manhã, enquanto outras acordam com muita fome. Estas questões podem ter uma explicação biológica e chama-se ritmo biológico, um elemento do nosso organismo que gera inúmeras reações biológicas reguladas por ciclos, durante as 24 horas do dia. Seu centro de regulação se situa no hipotálamo, glândula no encéfalo.

Este tema começou a ser investigado com maior profundidade na década de 70, quando pesquisadores descobriram que ratos com lesão do sistema nervoso central poderiam ter as suas funções endócrinas e comportamentais alteradas.

Posteriormente, modelos experimentais inicialmente in vitro e depois em seres humanos evidenciaram que o cérebro pode enviar comando para vários sistemas corporais, regulando processos altamente específicos e essenciais.

Essencial, contudo, enfatizar que muitos são os fatores que podem influenciar em nosso funcionamento orgânico e consequentemente em nosso ritmo biológico: a genética, o envelhecimento, a alimentação, o estilo de vida, entre outros.

À medida que a idade avança o cansaço chega mais cedo, o tempo de sono diminui e nota-se uma maior frequência de despertares, além da maior superficialidade dos estágios do sono; estas alterações são esperadas, porém pouco normais e sofrem a influência de 2 grandes sistemas corporais, sendo um deles o circadiano.

Ao pensarmos no campo da genética, a mutação no gene clock pode ser outro fator que tem demonstrado associação com o padrão de funcionamento de nosso ritmo circadiano e tudo o que o envolve. Alguns estudos apontam uma correlação entre esta "falha" genética e o aumento nos níveis de grelina, hormônio peptídeo com ação orexigena e que reflete no aumento da fome, com consequente risco para ganho de peso.

Esta alteração genética também parece estar associada ao desenvolvimento da síndrome metabólica em ratos que consumiram uma dieta com elevada concentração de gorduras, principalmente as saturadas, encontradas em alimentos de origem animal, como leite, queijos, carnes, peixes e manteiga.

Consequentemente podemos sugerir que o bom funcionamento do nosso ritmo circadiano se reflete na adequada regulação da temperatura corporal, ação de hormônios da saciedade e da fome, e sono. Estes e muitos outros achados clínicos sugerem a presença de sincronicidade entre o ritmo circadiano e os nossos processos corporais.

São vários os nossos ritmos circadianos e todos cursam livremente, mesmo quando os indivíduos têm conhecimento da hora do dia, e não são simplesmente modulações de reações químicas internas do organismo, mas também do resultado da interação de inúmeros outros comandos executados por outros sincronizadores externos.

Um exemplo pode ser o da glândula adrenal, que ao amanhecer secreta em maior quantidade o cortisol, hormônio que prepara o organismo para o estado de alerta. Todos nós temos um cronotipo ou um perfil característico, e a qualidade e a quantidade de sono têm sido sempre uma preocupação importante na manutenção da integridade deste sistema.

Muitos aspectos se entrelaçam formando uma teia de alta complexidade e de inúmeros fatores etiológicos, contribuindo com uma maior ou menor eficiência metabólica. Não há uma verdade absoluta e certamente muito ainda deve ser estudado, portanto algumas dicas podem ser dadas:

  • Mantenha uma rotina e regularidade em suas ações, desde o momento em que acorda até o horário em que vai se deitar;
  • Alimente-se bem durante o dia, preferindo alimentos frescos, naturais e ricos em compostos funcionais como frutas, verduras e legumes;
  • Mantenha a sua saúde mental buscando atividades que lhe promovam alegria e prazer;
  • Transforme a hora de dormir em um momento agradável e que favoreça o repouso.

Procure incorporar lentamente cada uma destas ações e certamente sentirá os resultados.

*Colaboração da nutricionista comportamental e clínica na clínica 12 semanas Dra. Samantha Rhein (Unifesp)

Referências:
– Rosenwasser, A.M;Turek, F.W. Sleep Medicine Clinicis. v10, (4), 403-412, Dec 2015.
– Zitting, K.M; Chinoy, E.D. Aging and Circadian Rhythms. Sleep Medicine Clinics. V 10 (4), 423 – 434, Dec 2015.
– Rossner, R.E. Who succeeds in maintaining weight loss? A conceptual review of factors associated with weight loss maintenance and weight regain. Obes Rev. 2005; 6:67–85.
– FINIMUNDI, M et al. Validação da escala de ritmo circadiano – ciclo vigília/sono para adolescentes. Rev. paul. pediatr., São Paulo, v. 30, n. 3, p. 409-414, Sept.  2012

Sobre a autora

Paola Machado é fisiologista do exercício, formada em educação física modalidade em saúde pela UNIFESP (Universidade Federal de São Paulo), mestre em ciências da saúde (foco em fisiologia do exercício e imunologia) e doutoranda em nutrição pela UNIFESP. É autora do Livro Kilorias - Faça do #projetoverão seu estilo de vida (Editora Benvirá). Atualmente, atua como pesquisadora, desenvolvendo trabalhos científicos sobre obesidade, e tem um canal de desafios (30 Dias com Paola Machado) onde testa a teoria na prática. Também é fundadora do aplicativo aplicativo 12 semanas. CREF: 080213-G | SP

Sobre a coluna

Aqui eu compartilharei conteúdo sobre exercício e alimentação para ajudar você a encontrar o caminho para um estilo de vida mais saudável. Os textos são cientificamente embasados e selecionados da melhor forma possível, sempre para auxiliar no seu bem-estar. Mas, lembre-se: a informação profissional é só o primeiro passo da sua nova jornada. O restante do percurso depende 100% de você e da sua motivação para alcançar seu objetivo.

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