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Sem causa definida, fibromialgia não tem cura, mas pode ser tratada

Paola Machado

11/02/2020 04h00

iStock

A fibromialgia é considerada uma síndrome de amplificação dolorosa que afeta aproximadamente de 2% a 8% da população, sendo as mulheres as mais acometidas, representando cerca de 80% a 90% dos casos.

Essa síndrome não possui uma causa definida, mas a literatura relata que ocorre uma inibição ineficaz do Sistema Nervoso Central que pode levar à modulação anormal dos receptores de dor, deixando-os hiperativos e com déficit analgésico, levando a um quadro de hiperalgesia generalizada, ou seja, uma intolerância ao toque por pressão na pele denominada de dor nociplástica.

A dor e a fadiga excessiva da musculatura têm um forte impacto nas atividades do dia a dia dessas pessoas. As queixas relatadas envolvem cansaço inexplicável, falta de ânimo e alterações de humor e, por isso, podem ser mal interpretadas e terem suas dores subestimadas, impactando negativamente nas relações profissionais e pessoais.

Alguns dos sintomas mais comuns relatados são:

  • Dores musculares e articulares;
  • Fadiga;
  • Distúrbios de sono e rigidez matinal;
  • Alterações de humor e depressão;
  • Dor de cabeça;
  • Dormência/queimação na pele.

A manifestação de todos esses sintomas se torna um ciclo vicioso que é potencializado pela inatividade física e predispõe ao aumento de lesões musculoesqueléticas. A fibromialgia não tem cura, mas é possível controlar os sintomas consideravelmente e ter qualidade de vida.

Caso possua esses sintomas, o ideal é procurar ajuda médica. A literatura científica já nos mostra critérios que, de forma clínica, avaliam a dor generalizada, a gravidade dos sintomas, as áreas do corpo acometidas e a permanência de sintomas por pelo menos 3 meses, que em conjunto determinam esse diagnóstico.

O tratamento deve ser realizado através do apoio de uma equipe multidisciplinar, com o suporte medicamentoso, a terapia e a reabilitação, tendo como objetivo o controle da dor, educação sobre a doença, controle de doenças associadas e higiene do sono.

Como as dores não têm uma causa definida, alguns tratamentos farmacológicos podem ser usados para auxiliar na neuromodulação da dor ou no aumento da produção de neurotransmissores que auxiliam na diminuição dos sintomas, o que deve ser discutido e prescrito pelo médico.

Atualmente na literatura, o melhor nível de evidência aponta a associação de exercício físico e TCC (Terapia Cognitivo Comportamental). Os estudos apontam que tanto exercícios aeróbicos quanto resistidos são benéficos no tratamento da fibromialgia e se relacionam diretamente à melhora e ao alívio dos sintomas. Se possível, associe os dois tipos de exercícios. Os exercícios devem ser realizados de forma progressiva e devem ser bem orientados, considerando a hipersensibilidade e as particularidades de cada indivíduo.

Portanto, ao perceber os sintomas procure ajuda de um profissional da área da saúde especializado e saiba que você não está sozinho para controlar essa doença e ter mais qualidade de vida.

*Colaboração da Fisioterapeuta Doutora em Ciências da Saúde pela UNIFESP, Dra. Renata Luri; do Fisioterapeuta Pós-Graduado em Neurofuncional pela UFSCar, Dr. Welbert Lima; e da Fisioterapeuta pela UNIFESP, Dra. Bruna Barreto 

Referências:
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– CASTILLO-SAAVEDRA, Laura et al. Clinically effective treatment of fibromyalgia pain with high-definition transcranial direct current stimulation: phase II open-label dose optimization. The Journal of Pain, v. 17, n. 1, p. 14-26, 2016.
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– FRANCO, Katherinne Ferro Moura et al. Effectiveness and cost-effectiveness of the modified Pilates method versus aerobic exercise in the treatment of patients with fibromyalgia: protocol for a randomized controlled trial. BMC Rheumatology, v. 3, n. 1, p. 2, 2019.
– HÄUSER, Winfried et al. Management of fibromyalgia: key messages from recent evidence-based guidelines. Polish Arch Int Med, v. 2017, p. 127, 2017.
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– SALAZAR, A. P. et al. Electric Stimulation for Pain Relief in Patients with Fibromyalgia: A Systematic Review and Meta-analysis of Randomized Controlled Trials. 2017.
– SANADA, Kenji et al. Effects of non-pharmacological interventions on inflammatory biomarker expression in patients with fibromyalgia: a systematic review. Arthritis research & therapy, v. 17, n. 1, p. 272, 2015.
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– WOLFE, Frederick et al. Revisions to the 2010/2011 fibromyalgia diagnostic criteria. In: Seminars in arthritis and rheumatism. WB Saunders, 2016. p. 319-329.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre a autora

Paola Machado é fisiologista do exercício, formada em educação física modalidade em saúde pela UNIFESP (Universidade Federal de São Paulo), mestre em ciências da saúde (foco em fisiologia do exercício e imunologia) e doutoranda em nutrição pela UNIFESP. É autora do Livro Kilorias - Faça do #projetoverão seu estilo de vida (Editora Benvirá). Atualmente, atua como pesquisadora, desenvolvendo trabalhos científicos sobre obesidade, e tem um canal de desafios (30 Dias com Paola Machado) onde testa a teoria na prática. Também é fundadora do aplicativo aplicativo 12 semanas. CREF: 080213-G | SP

Sobre a coluna

Aqui eu compartilharei conteúdo sobre exercício e alimentação para ajudar você a encontrar o caminho para um estilo de vida mais saudável. Os textos são cientificamente embasados e selecionados da melhor forma possível, sempre para auxiliar no seu bem-estar. Mas, lembre-se: a informação profissional é só o primeiro passo da sua nova jornada. O restante do percurso depende 100% de você e da sua motivação para alcançar seu objetivo.

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