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Está difícil emagrecer? Não jogue a culpa somente no metabolismo

Paola Machado

13/02/2020 04h00

iStock

Hoje vamos falar sobre uma condição recorrente e muitas vezes angustiante para uma grande parte das pessoas: a dificuldade em emagrecer ou manter-se no peso atingido.

Esta é certamente uma das principais queixas, senão a principal, que recebemos em consultório e normalmente escutamos que o principal culpado é o metabolismo ("O meu metabolismo é lento… não como nada e não emagreço") Quem nunca falou ou pensou nesta frase ou algo similar a ela?

Mas será que este pensamento é de fato verdadeiro? Para avaliarmos isto, é importante refletirmos sobre o que significa metabolismo e quais são os fatores que interferem neste processo.

METABOLISMO consiste em um conjunto de reações que acontecem em todo o nosso corpo, com o objetivo de produzir compostos orgânicos (hormônios, enzimas, músculos entre outros) e reações de "quebra" para liberação de energia e produção de elementos necessários na reestruturação e integridade do corpo.

Como definido, o papel do metabolismo é essencial à saúde humana e se este se tornar ineficaz, teremos muitos problemas e certamente sairemos da condição de equilíbrio para uma situação de doença. Centralizando a nossa abordagem no gasto de energia ou produção da mesma, vários são os elementos que regulam este processo, sendo as mitocôndrias (ou organelas) essenciais para esta função; elas obtêm energia a partir do calor produzido pelos nutrientes que os alimentos fornecem como as proteínas (aminoácidos), gorduras (ácidos graxos) e carboidratos.

Algumas condições aumentam a nossa necessidade de energia, promovendo alta demanda celular e consequentemente a mitocondrial: o exercício físico, as doenças (principalmente aquelas com maior gravidade como câncer, insuficiência renal, doenças pulmonares, entre muitas outras similares), o crescimento, a gestação, a lactação.

Outros dados interferem de forma menos aguda como peso, altura, gênero e idade. Em condições basais ou de repouso, quanto maior a massa corporal e a estatura, maior será a energia necessária dispendida para manter nossas necessidades vitais como respiração, batimentos cardíacos, circulação do sangue e cognição.

Assim como o crescimento, o processo de envelhecimento interfere de forma proporcional a esta condição metabólica, já que a medida que envelhecemos reduzimos a integridade e a função celular, tornando o nosso organismo mais vulnerável e com menor capacidade de "queima energética" traduzido pelo declínio celular e também da atividade das mitocôndrias.

O sono também impacta neste gasto de energia, uma vez que é neste momento que preservamos energia, renovamos os estoques de glicogênio muscular, hepático e cerebral, entre outros. Durante o sono não REM, o gasto de energia cerebral diminui, o fluxo sanguíneo cerebral e a taxa metabólica cerebral também, enquanto as concentrações de glicose e energia aumentam, motivo pelo qual é importante chegarmos a níveis mais reparadores de sono tendo como uma das consequências melhor controle glicêmico. É importante analisarmos que o sono regula o nosso ritmo biológico e a liberação/atuação de muitos hormônios que podem tornar o nosso metabolismo mais eficiente.

Estes são alguns dos componentes que interferem em nosso gasto de energia diário. Complexo, não? Muito ainda precisa ser estudado, principalmente as questões de ordem genética e hormonal, já que sabemos apenas o básico e a ponta do iceberg.

Portanto, a partir de agora, quando for mencionar que a culpa é do seu metabolismo, lembre-se de que está simplificando demais o tema, restringindo este assunto a apenas poucos dados e nenhuma individualização. Considere como está se alimentando e o tipo de substrato energético que será utilizado como combustível essencial para garantir o melhor desempenho de nossa máquina, avalie também a qualidade de sua noite de sono, o seu nível de estresse e o autocuidado que tem, além da prática regular ou não de exercícios físicos.

Faça uma autoanálise, reflita em possíveis pontos de melhora e conte com o suporte de profissionais qualificados e que possam te direcionar no melhor caminho para atingir os seus objetivos e mantê-los.

*Colaboração da nutricionista comportamental e clínica na clínica 12 semanas Dra. Samantha Rhein (Unifesp)

Referências:
– Zhaoyang, F. Hanson, R.W. Berger, N. A. Trubitsyn, A. Reprogramming of energy metabolism as a driver of aging. Oncotarget, Vol. 7, No. 13, 2016.
– Mennigen, J.A. Micromanaging metabolism—a role for miRNAs in teleost energy metabolismo. Volume 199, September 2016, Pages 115-125
– Porkka-Heiskanen, T. Kalinchuk, A. Alanko, L. Urrila, A. Stenberg, D. Adenosine, Energy Metabolism, and Sleep. TheScientificWorld Journal (2003) 3, 790-798

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre a autora

Paola Machado é fisiologista do exercício, formada em educação física modalidade em saúde pela UNIFESP (Universidade Federal de São Paulo), mestre em ciências da saúde (foco em fisiologia do exercício e imunologia) e doutoranda em nutrição pela UNIFESP. É autora do Livro Kilorias - Faça do #projetoverão seu estilo de vida (Editora Benvirá). Atualmente, atua como pesquisadora, desenvolvendo trabalhos científicos sobre obesidade, e tem um canal de desafios (30 Dias com Paola Machado) onde testa a teoria na prática. Também é fundadora do aplicativo aplicativo 12 semanas. CREF: 080213-G | SP

Sobre a coluna

Aqui eu compartilharei conteúdo sobre exercício e alimentação para ajudar você a encontrar o caminho para um estilo de vida mais saudável. Os textos são cientificamente embasados e selecionados da melhor forma possível, sempre para auxiliar no seu bem-estar. Mas, lembre-se: a informação profissional é só o primeiro passo da sua nova jornada. O restante do percurso depende 100% de você e da sua motivação para alcançar seu objetivo.

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