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Frutas e verduras podem carregar vírus e bactérias; aprenda a higienizá-las

Paola Machado

20/03/2020 04h00

Crédito: iStock

Boas práticas ao preparar os alimentos são sempre importes para evitar contaminações por vírus e bactérias que prejudicam a sua saúde –e se tornam ainda mais importantes neste momento, em que o mundo todo está lutando contra a covid-19.

Higienizar bem suas frutas, verduras e legumes não vai só ajudar a evitar que você contraia o coronavírus caso ele esteja presente nesses alimentos, como também evitar que tenha outras doenças (virose, diarreia) que podem afetar sua imunidade e diminuir sua resistência para combater a covid-19.

Lavar é diferente de higienizar

O termo lavar engloba tanto o uso de água e sabão quanto a aplicação de preparações alcoólicas (gel ou solução). Já higienizar compreende duas etapas: a limpeza (lavar) e a desinfecção. A desinfecção objetiva a redução parcial do número de micro-organismos que podem ou não causar doenças, mas não matando os esporos (estruturas pequenas produzidas em grande quantidade por bactérias, fungos e plantas, com capacidade de gerar um novo agente contaminante).

Segundo a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), estes são os cuidados que você deve ter para higienizar frutas, verduras e legumes antes de consumi-los:

  • Antes de pegar o alimento, é imprescindível lavar as suas mãos em água corrente com água e sabão ou detergente.
  • Selecione os vegetais, retirando folhas e partes deterioradas.
  • Lavar os alimentos em água corrente e potável, um a um.
  • Colocar de molho no produto higienizador (vende no supermercado), conforme diluição e tempo orientador pelo fabricante. Ou deixar de molho por 10 minutos em solução que respeite a seguinte diluição: 1 colher de sopa de água sanitária para cada litro de água.
  • O alimento deverá estar completamente submerso em água durante o processo.
  • Ao término, escorra a água e enxágue os vegetais em água corrente e potável, eliminando o excesso.
  • Mantenha os alimentos sob refrigeração até a hora de servir.

Alguns outros cuidados devem ser tomados durante esse processo –e fique atento às dicas a seguir pois elas podem parecer muito simples, mas às vezes enquanto estamos preparando o almoço ou o jantar, nos distraímos e acabamos fazendo algo semelhante:

  • Não tocar nos alimentos com as mãos sujas ou com ferimentos expostos;
  • Lave as mãos ao manipular alimentos e ao trocar de atividade;
  • Use sempre utensílios limpos;
  • Conserve os alimentos sempre cobertos, para protegê-los da ação de insetos que funcionam como vetores de agentes infecciosos;
  • Cozinhe muito bem os alimentos e tenha como referência uma temperatura de 74 °C, que mata e evita o crescimento de micro-organismos.
  • Enquanto está preparando as refeições, não fale, cante, tussa ou espirre em cima dos alimentos.
  • Evite provar alimentos utilizando os dedos ou o utensílio que está sendo usado na preparação.
  • Alimentos que tenham caído no chão devem ser sempre jogados fora.

Outra questão bem importante é a atenção que você deve ter com todas as superfícies que entram em contato com os alimentos, limpando-as para manter o local livre de poeira, sujeiras e restos de comida. Essa lavagem deve ser feita com detergente e o enxague com água corrente; por fim, passe álcool 70% e espere 2 minutos para total evaporação, deixando secar naturalmente.

Este procedimento de higiene das superfícies reforça uma questão discutida em um recente artigo do Journal of Hospital Infection (2020), que pesquisa o tempo de sobrevida de vários tipos de vírus, dentre eles o SARS – Cov 2 (coronavírus humano), em superfícies secas e o potencial risco de autoinoculação por mucosa de nariz, boca e olhos. Os pesquisadores observaram que o vírus pode permanecer "ativo" em períodos muito variáveis de 2 horas até 5 dias, dependendo do material (papel, vidro, metal, alumínio) em questão.

Aparentemente, sugere-se também que temperaturas entre 30 a 40 °C reduzam a patogenicidade de alguns dos vírus estudados, entre eles o coronavírus, e o álcool 70% ainda parece ser a medida mais efetiva de inativação especificamente do coronavírus humano, tendo a ação em menor tempo (segundos), quando comparado com outros bioativos.

Estas são sugestões simples e cotidianas que poderão te ajudar a manter os alimentos mais limpos e seguros, garantindo saúde e resistência para enfrentar a maior parte de todos os desafios que são apresentados. Cuide sempre de sua saúde e coloque-a em uma condição prioritária.

*Colaboração da nutricionista comportamental e clínica na clínica 12 semanas Dra. Samantha Rhein (Unifesp)

Referências:
– RDC N° 216_ ANVISA – Agência Nacional de Vigilância Sanitária.
– Boas Práticas de Manipulação dos Alimentos. Secretaria de Estado da Educação do Paraná, 2015.
– Persistence of Coronaviruses on inanimate surfaces and their inactivation with biocidal agentes. G. Kampf et al. / Journal of Hospital Infection, 2020.

Sobre a autora

Paola Machado é fisiologista do exercício, formada em educação física modalidade em saúde pela UNIFESP (Universidade Federal de São Paulo), mestre em ciências da saúde (foco em fisiologia do exercício e imunologia) e doutoranda em nutrição pela UNIFESP. É autora do Livro Kilorias - Faça do #projetoverão seu estilo de vida (Editora Benvirá). Atualmente, atua como pesquisadora, desenvolvendo trabalhos científicos sobre obesidade, e tem um canal de desafios (30 Dias com Paola Machado) onde testa a teoria na prática. Também é fundadora do aplicativo aplicativo 12 semanas. CREF: 080213-G | SP

Sobre a coluna

Aqui eu compartilharei conteúdo sobre exercício e alimentação para ajudar você a encontrar o caminho para um estilo de vida mais saudável. Os textos são cientificamente embasados e selecionados da melhor forma possível, sempre para auxiliar no seu bem-estar. Mas, lembre-se: a informação profissional é só o primeiro passo da sua nova jornada. O restante do percurso depende 100% de você e da sua motivação para alcançar seu objetivo.

Paola Machado