PUBLICIDADE

Topo

Em tempos de home office, saiba como prevenir a tendinite em casa

Paola Machado

01/04/2020 04h00

iStock01

Em tempos de quarentena, muitas pessoas tiveram que se adaptar à rotina de trabalhar de casa. Nem sempre há a possibilidade de ter uma cadeira, mesa ou mesmo um ambiente específico para se dedicar ao trabalho, e alguns ajustes devem ser feitos tanto no ambiente quanto nos hábitos (acompanhe última matéria com as dicas do home office).

O fato é que trabalhar em home office em tempos de isolamento social é desafiador. A tendência é passarmos longos períodos de tempo sentados, seja no trabalho com o notebook ou no lazer assistindo à televisão.

Se no ambiente de trabalho já era difícil se manter sentado por ser incômodo, em casa, por diversos motivos, pode levar a dores, desconfortos musculares ou até articulares. Entre as queixas mais comuns está a dor no punho, região popularmente chamada de pulso.

Segundo o Ministério do Trabalho, a tendinite está entre as 20 principais causas de afastamento por acidentes ou adoecimentos. A tendinite é conhecida como uma das principais lesões entre as LER/DORT, que são doenças de causa ocupacional devido a longas jornadas de trabalho na mesma posição de forma repetitiva. Sua causa está diretamente ligada ao movimento repetitivo e excesso de carga na região.

Causas

  • Sobrecarga (excesso de movimento repetitivos/overuse).
  • Desequilíbrio e fraqueza muscular.
  • Traumas.
  • Atritos.

Sintomas

  • Dor.
  • Formigamento (Parestesia).
  • Fadiga.
  • Perda de força e de controle.
  • Inchaço.
  • Calor na região.
  • Crepitação (sensação do ranger) durante os movimentos.
  • Pode levar à cervicalgia tensional (dor no pescoço e na cabeça).

Tratamento

As tendinites são doenças normalmente temporárias com o tratamento adequado. Em fase inicial, gelo, repouso e ajustes do movimento aliviam o problema.

O gelo deve ser aplicado durante 15 minutos na região afetada (com proteção da pele com toalha). É importante procurar um profissional de saúde para a assistência adequada. Saiba que uma tendinite mal tratada causa complicações a longo prazo.

Já em caso de dores crônicas (quando a pessoa sente há meses e o quadro só piora), é necessário o uso de anti-inflamatórios e fisioterapia. O papel da fisioterapia nesses casos é realmente focar na causa da lesão. Podem ser usados recursos analgésicos, alongamentos, liberação muscular e fortalecimento muscular. Nos casos mais graves e incapacitantes, pode haver a necessidade de cirurgia ou infiltração.

A melhor estratégia é focar na prevenção através de pequenas mudanças de hábito. Listamos algumas dicas para prevenir a tendinite em casa:

Ajuste o seu ambiente de trabalho

  • É importante garantir conforto ao trabalhar. Mantenha sua cabeça na mesma linha da tela do notebook, seus ombros sempre sem tensão, seus cotovelos e joelhos a 90 graus, e pés sempre apoiados.
  • Preste atenção. O punho e o antebraço devem estar apoiados sobre uma superfície. Nada de deixar os punhos livres sem apoio.
  • Utilize um mousepad com apoio ergonômico de punho que ajuda a diminuir o atrito e a compressão entre os tendões e as estruturas que estão ao redor.

Faça pausas

  • As pausas na digitação e no uso de mouse evitam a sobrecarga e o oversuse da região.
  • Durante as pausas: faça movimentos circulares com os punhos, e abra e feche as mãos para estimular a circulação sanguínea local.

Alongue

  • Não deixe os músculos parados na mesma posição por muito tempo.
  • Um recente estudo recomenda alongar punhos e mãos ao menos uma vez ao dia, como alternativa para combater e prevenir o problema.
  • Alongue o corpo como um todo: pescoço, braços e dedos.

Fortaleça

  • Trabalhar a musculatura estabiliza as articulações e previne a tendinite.
  • Abra e feche os dedos repetindo 3 séries de 10 repetições.
  • Fortaleça o corpo como um todo! Mesmo em casa você pode se manter ativo, há diversas dicas de exercícios. Cuidado apenas para não se expor a movimentos que não domina para não se lesionar.

Nunca se automedique

  • Tenha cuidado ao tomar medicamentos sem prescrição. Há pessoas que se medicam antes de começar a trabalhar para mascarar sintomas.
  • Encare a dor como um alerta do seu corpo! Seja capaz de avaliar quando está exagerando em alguma atividade.

*Colaboração Renata Luri Fisioterapeuta Doutorada pela UNIFESP e da Juliana Satake Fisioterapeuta pela UNIFESP 

Referências:
-Dale, Alana Pires; Dias, Maria Dionísia do Amaral.A 'extravagância' de trabalhar doente: o corpo no trabalho em indivíduos com diagnóstico de ler/dort / The 'extravagance' of working sick: the body work in individuals diagnosed with rsi/wrmd / La 'extravagancia' de trabajar enfermo: el cuerpo en el trabajo en individuos con diagnóstico de ler/epo. Trab. educ. saúde ; 16(1): 263-282, jan.-abr. 2018.
-Dosea, Giselle Santana; Oliveira, Cristiane da Costa Cunha; Lima, Sônia Oliveira. Percepção da qualidade de vida em portadores de distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho / Percepción de la calidad de vida en portadores de trastornos musculoesqueléticos (tme) relacionados al trabajo / Perception of quality of life in patients with work-related musculoskeletal disorders. Ciênc. cuid. saúde ; 15(3): 482-488, Jul.-Set. 2016.
-Fritz, Russell C; Boutin, Robert D.Musculotendinous Disorders in the Upper Extremity: Part 2. MRI of the Elbow, Forearm, Wrist, and Hand.Semin Musculoskelet Radiol ; 21(4): 376-391, 2017.
-Kozak, Agnessa; Wirth, Tanja; Verhamme, Miet; Nienhaus, Albert.Musculoskeletal health, work-related risk factors and preventive measures in hairdressing: a scoping review, J Occup Med Toxicol ; 14: 24, 2019.
-Lotter, Oliver; Lieb, Tobias; Breul, Viktor; Molsner, Jochen.Is Repetitive Workload a Risk Factor for Upper Extremity Musculoskeletal Disorders in Surgical Device Mechanics? A Cross-Sectional Analysis.Int J Environ Res Public Health ; 17(4)2020 02 21.
-Mohan, Vijay; Inbaraj, Leeberk Raja; George, Carolin Elizabeth; Norman, Gift.Prevalence of complaints of arm, neck, and shoulders among computer professionals in Bangalore: A cross-sectional study. J Family Med Prim Care ; 8(1): 171-177, 2019.
-Thomsen, J F; Mikkelsen, S; Andersen, J H; Fallentin, N; Loft, I P; Frost, P; Kaergaard, A; Bonde, J P; Overgaard, E.Risk factors for hand-wrist disorders in repetitive work.Occup Environ Med ; 64(8): 527-33, 20

Sobre a autora

Paola Machado é fisiologista do exercício, formada em educação física modalidade em saúde pela UNIFESP (Universidade Federal de São Paulo), mestre em ciências da saúde (foco em fisiologia do exercício e imunologia) e doutoranda em nutrição pela UNIFESP. É autora do Livro Kilorias - Faça do #projetoverão seu estilo de vida (Editora Benvirá). Atualmente, atua como pesquisadora, desenvolvendo trabalhos científicos sobre obesidade, e tem um canal de desafios (30 Dias com Paola Machado) onde testa a teoria na prática. Também é fundadora do aplicativo aplicativo 12 semanas. CREF: 080213-G | SP

Sobre a coluna

Aqui eu compartilharei conteúdo sobre exercício e alimentação para ajudar você a encontrar o caminho para um estilo de vida mais saudável. Os textos são cientificamente embasados e selecionados da melhor forma possível, sempre para auxiliar no seu bem-estar. Mas, lembre-se: a informação profissional é só o primeiro passo da sua nova jornada. O restante do percurso depende 100% de você e da sua motivação para alcançar seu objetivo.