PUBLICIDADE

Topo

Ansioso? Estressado? Conheça alimentos e plantas que podem ajudar a acalmar

Paola Machado

02/04/2020 04h00

iStock

Estamos vivendo um clima de tensão e muita ansiedade e, certamente, isto gera consequências em nosso organismo. Podemos dizer que o estresse é um dos principais, se não o principal gatilho atual que incide na população "saudável" ou que não apresenta doenças físicas.

O estresse crônico pode levar a inúmeras alterações orgânicas, dependendo da predisposição genética e endócrina do indivíduo, da intensidade e da duração desta condição e da situação de saúde da pessoa em questão.

Começando a descrição de algumas consequências mediadas pelo estresse temos a perda de memória e prejuízo na cognição/aprendizagem, isto se dá entre vários fatores, por meio de ativação do processo de neurodegeneração e redução no número de neurônios em resposta, principalmente, ao aumento nos níveis de cortisol circulantes.

A correlação entre estresse e imunossupressão também é muito estudada e considerada há décadas, mas você sabe o que é imunossupressão? É um estado de deficiência do sistema imunitário para responder aos agentes agressores.

Em condição de estresse parece ocorrer uma diminuição na ação de macrófagos, células natural killers e linfócitos – elementos que compõem este sistema de defesa tão efetivo, atuando de forma certeira na proteção de nosso organismo.

Acredita-se que isto aconteça por conta da liberação de hormônios glicocorticoides e também pela secreção de norepinefrina, substância que supostamente inibe a ação de fagócitos, ilustrando a condição de imunossupressão.

Em meio a este cenário, a alimentação desempenha um fator bastante relevante no sentido de acalmar e tranquilizar as nossas atitudes e pensamentos, já que alguns alimentos contêm nutrientes específicos que podem desempenhar sensação de relaxamento:

  • Banana, avocado, nozes, castanhas, chocolate, queijos e leite: Você imagina o que estes alimentos têm em comum? Boas quantidades de um aminoácido chamado triptofano. Este aminoácido participa de vários processos metabólicos e um deles é contribuir com a formação de 5-hidroxitriptofano e, posteriormente, a serotonina, hormônio que atua como neurotransmissor e promove efeito de tranquilidade e relaxamento. Sabe aquele leitinho com aveia antes de dormir? De fato pode contribuir com a sensação de calma e bem-estar ao qual associamos diretamente. Temos também algumas infusões que podem contribuir com as sensações aqui abordadas, mas vale a pena reforçarmos que todo o cuidado é pouco na hora de comprar as partes recomendadas para estas preparações. Tenha atenção a procedência destas bebidas e procure sempre auxílio profissional capacidade para te orientar adequadamente, pois embora "naturais", o consumo destas infusões a base de ervas não é inofensivo e pode associar-se a efeitos tóxicos e bastante letais.
  • Alfazema: Lavandula officinalis —parte indicada para a utilização: flor. Muitos são os estudos sobre esta planta e, de fato, resultados promissores demonstram efeito positivo na redução de estresse e ansiedade, isto acontece pela presença de vários componentes, dando destaque aos chamados de linalol e acetato de linalila.
  • Campim cidrão:Cymbopogon citratus –parte indicada para a utilização: folhas. Popularmente conhecido como capim-limão, capim-santo, capim-cidreira. Não se engane na hora da compra e peça pelo nome científico (Cymbopogon citratus). A presença do citral garante a forma mais efetiva as suas funções. Pesquisas apontam resultados promissores relacionados ao controle de ansiedade, embora o número de estudos em seres humanos ainda seja pequeno.
  • Melissa: Melissa officinalis –parte indicada para a utilização: folhas. Melissa, melissa verdadeira e erva-cidreira, estes são os nomes populares destas plantas. Muitos estudos associam os efeitos calmantes desta erva em associação a Lavandula officinalis. Por mecanismos distintos, elas contribuem com um efeito tranquilizante, o que é benéfico nos dias de hoje. Porém, novamente, é imprescindível a atenção ao nome científico da planta, acompanhamento por um profissional especialista e a procedência da erva, já que o óleo essencial de melissa pode desencadear efeitos neurotóxico e mutagênico quando consumido em doses, principalmente na forma de extrato.
  • Mulungu: Erythina mulungu –parte indicada para a utilização: casca. Em vários estados brasileiros, infusões de mulungu são utilizadas no preparo de banhos e garrafadas medicinais, com o propósito de afastar forças negativas, trazer paz e tranquilidade. O nosso objetivo aqui é difundir a sua utilização em situações de estresse e ansiedade, o que de fato pode ocorrer já que E. mulungu encontra-se descrita na RDC 10/10 de notificação de drogas vegetais para tratar quadros leves de ansiedade e insônia, como calmante suave. Conforme citado anteriormente, é indicado o uso das cascas na forma de decocção, preparado na quantidade de 4 a 6 g em 150 ml de água. Mas atenção: não é recomendado o seu uso por pessoas com insuficiência cardíaca ou arritmias cardíacas.

Todas as plantas descritas sofrem o risco de apresentarem contaminação por metal pesado tais como chumbo, cobre, mercúrio e cádmio em decorrência da poluição ambiental ou traços de agrotóxicos e arsênico. Então, tenha atenção ao optar por consumir estas plantas, preferindo aquelas de produtores reconhecidos e certificados.

E aquele suco de maracujá (Passiflora alata), você já tentou? Alguns dos nomes populares desta fruta são passiflora alata D, maracujá doce, maracujá de refresco, maracujá grande, maracujá alado, maracujá guaço e maracujá de comer. O efeito calmante tão atribuído a esta fruta rica em substâncias com passiflorina, flavonoides, c-glicosídeos e alcaloides, pode ser encontrado em suas folhas, e não na polpa da fruta, como normalmente pensamos.

O consumo da infusão da folha de maracujá é contra indicada para pessoas com hipotensão, gestantes e nutrizes e quando utilizado de forma inadequada e sem controle, pode ter efeitos tóxicos.

Viu só? Muitos são os detalhes e os nomes descritos em nossa conversa, mas o essencial é tentar manter a calma e a saúde mental, tendo as ações comentadas acima como medidas auxiliares. Ações atitudinais podem ser efetivas no controle de quadros de ansiedade então, mantenha a prática de meditação, atividades de respiração, leia um bom livro, tente esboçar um leve sorriso de vez em quando e, na medida do possível, mantenha-se otimista e com a visão rumo ao futuro.

*Colaboração da nutricionista comportamental e clínica na clínica 12 semanas Dra. Samantha Rhein (Unifesp)

Referências:
– ALONSO, J. R. Tratado de Fitomedicina. 1ª edição. Isis Editora. 1998.
– LOPEZ, V et al., Exploring Pharmacological Mechanisms of Lavender (Lavandula angustifolia) Essential Oil on Central Nervous System Targets. Front. Pharmacol., 19 May 2017.
– Sousa, DP et al. Systematic Review of the Anxiolytic-Like Effects of Essential Oils in Animal Models. Molecules. 2015 Oct 14;20(10):18620-60.
– Monografia da espécie Erythrina Mulungu (Mulungu). Ministério da Saúde, 2015.
– Rodolfo Schleier,I Cristiane Sacuragui Quirino,II Samir RahmeIII . Erythrina mulungu – descrição botânica e indicações clínicas a partir da antroposofia. Arte Médica Ampliada Vol. 36 | N. 4 | Outubro / Novembro / Dezembro de 2016.

Sobre a autora

Paola Machado é fisiologista do exercício, formada em educação física modalidade em saúde pela UNIFESP (Universidade Federal de São Paulo), mestre em ciências da saúde (foco em fisiologia do exercício e imunologia) e doutoranda em nutrição pela UNIFESP. É autora do Livro Kilorias - Faça do #projetoverão seu estilo de vida (Editora Benvirá). Atualmente, atua como pesquisadora, desenvolvendo trabalhos científicos sobre obesidade, e tem um canal de desafios (30 Dias com Paola Machado) onde testa a teoria na prática. Também é fundadora do aplicativo aplicativo 12 semanas. CREF: 080213-G | SP

Sobre a coluna

Aqui eu compartilharei conteúdo sobre exercício e alimentação para ajudar você a encontrar o caminho para um estilo de vida mais saudável. Os textos são cientificamente embasados e selecionados da melhor forma possível, sempre para auxiliar no seu bem-estar. Mas, lembre-se: a informação profissional é só o primeiro passo da sua nova jornada. O restante do percurso depende 100% de você e da sua motivação para alcançar seu objetivo.