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Chocolate traz prazer e bem-estar, mas também engorda; veja melhores opções

Paola Machado

25/05/2020 04h00

Crédito: iStock

Chamado de "Comida dos Deuses" pelos maias, o chocolate está há muitos séculos em nossa alimentação e, sem dúvidas é um dos "doces" mais amados do mundo. Por ser tão desejado e consumido, suas  características e ingredientes são amplamente estudados, assim como a sua relação com o sistema de prazer (conhecido como hedônico).

Sim, é comprovado cientificamente que o alimento é capaz de produzir sensações de prazer e bem-estar quando consumido. No entanto, isso não é motivo para consumi-lo sem culpa. Afinal, o chocolate é altamente calórico e é preciso ter moderação, principalmente neste momento em que muitos buscam na comida, principalmente em doces, uma recompensa para aliviar a ansiedade gerada pelo isolamento.

Os tipos de chocolate

As propriedades benéficas do alimento vêm principalmente de sua matéria-prima: o cacau. Porém, durante o processo de fabricação a fruta sofre transformações e adições que resultarão em produtos com diferentes propriedades:

CHOCOLATE ESCURO (AMARGO) Contém sólidos de cacau (até 80% do peso total) e menos manteiga de cacau –quanto mais amargo, menor a quantidade de manteiga de cacau e açúcar são adicionadas. A sua qualidade e valor nutricional dependerão da porcentagem de cacau. A maioria dos benefícios para a saúde atribuíveis ao chocolate são associado ao consumo do tipo escuro.

AO LEITE Contém manteiga de cacau, açúcar, leite em pó, lecitina e cacau (este último não menos de 20% a 25%). Com uma aparência brilhante, tem sabor doce e maior teor de gorduras saturadas, principalmente pela maior proporção de manteiga de cacau.

BRANCO Contém manteiga de cacau, leite e açúcar sem sólidos de cacau.

O que é a manteiga de cacau? É uma mistura de gorduras, predominantemente saturadas, adicionada a mistura que irá compor o chocolate. A sua proporção é diferente nos diferentes tipos de chocolates mencionados acima.

Chocolate ao leite x escuro

  • Ao leite Comparado com o escuro, possui quantidade superior de colesterol, 10 vezes mais sódio na formulação e quatro vezes mais cálcio pela adição do leite.
  • Escuro Comparado com o ao leite, tem maior quantidade de fibra alimentar, maior quantidade de teobromina (8 vezes superior) e 2 vezes mais flavonoides.

Além de ter menos gordura e açúcar, a maior presença de flavonoide e teobromina é um grande diferencial do chocolate escuro. A teobromina é um componente orgânico com função vasodilatadora e, portanto, com benefícios cardiovasculares. Já os flavonoides têm poder antioxidante e previnem o envelhecimento precoce.

Pesquisas realizadas em ambiente controlado associam o consumo de chocolate escuro à melhoria nos níveis de pressão arterial, contribuindo assim para a o efeito antitrombótico pela redução de fatores anti-inflamatórios e vasodilatadores circulantes.

O conteúdo de flavonoide presente no chocolate pode variar entre as marcas devido a diferenças no processo de produção, logo escolha sempre aqueles com mais cacau e menos açúcar, massa de cacau ou os seus substitutos. Além disso, não há uma regulamentação específica que rege a rotulagem de chocolate escuro ou de seu teor de polifenóis ou flavonoides. Vale ressaltar que encontramos os flavonoides também em uvas, maçã, brócolis, espinafre, couve, cebola, nozes entre outros.

Já o chocolate ao leite leva desvantagem por conta de sua composição de ácidos graxos. A manteiga de cacau é composta principalmente por gordura saturada do tipo palmítico e esteárico, e tem pouca gordura poli-insaturada, como o ácido graxo oleico. E o que isso significa? Os ácidos graxos saturados, principalmente os descritos acima, têm papel inflamatório em nosso organismo.

Ponto importante! Não é o consumo de 1 pedaço de chocolate que fará de você uma pessoa com inflamação, mas sim um conjunto de escolhas e atitudes que envolvem a sua alimentação como um todo, a prática regular ou não de atividade física, o seu peso corporal e a gordura corporal, a sua saúde mental e também a qualidade de vida como um todo. Mas se pudermos fazer escolhas inteligentes e que nos beneficiem, por que não levar esta informação em consideração?

Mas quanto devo comer? 

Na literatura científica a quantidade recomendada para obter estes benefícios e ainda se deliciar com este alimento permanece entre 40 a 70 gramas de chocolate 70% ou mais por dia, o que equivale a quantidade de 2 bombons e aproximadamente 230 calorias.

Esse valor calórico é considerável e, portanto, precisa ser bem programado e contextualizado, sempre em sintonia com atitudes positivas com relação as suas demais escolhas alimentares e rotina diária.

Outro ponto importante é sempre ler o rótulo ao comprar um chocolate pois, na tentativa de baratear o produto e torná-lo mais palatável, algumas empresas têm substituído de forma total ou parcial a manteiga de cacau por similares (coco, algodão, palma e soja), que geralmente são produtos derivados da hidrogenação e/ou fracionamento de óleos vegetais, ingredientes muito relacionados ao aumento no risco cardiovascular.

De forma conclusiva sabemos que a dieta é um dos principais fatores de estilo de vida que podem influenciar significativamente a incidência e progressão de doenças crônicas, como as cardiovasculares, diabetes e câncer. A dieta equilibrada, consciente e não restritiva, com a presença do consumo racional do chocolate 70% pode trazer benefícios, sem contar o fato de ser um alimento gostoso e agradável.

*Colaboração da nutricionista comportamental e clínica na clínica 12 semanas Dra. Samantha Rhein (UNIFESP).

Referências:
– Ferreira, DNS et al., Processo de Temperagem da Manteiga de Cacau: análises, conceitos e sinergias em uma Multinacional. Braz. J. of Bus., Curitiba, v. 1, n. 3, p. 1207-1217, jul./set. 2019.
– Garcia, J.P; et al., The cardiovascular effects of chocolate. Rev. Cardiovasc. Med. 2018; 19(4): 123—127.
– Minim, V.P.R; Cecchi, H.M.M; Minim, LA. Determinação de substitutos da manteiga de cacau em coberturas de chocolate através da análise de triacilgliceróis. Ciênc. Tecnol. Aliment., Campinas, v. 19, n. 2, p. 277-281, May, 1999.
– Montagna, M.T. Chocolate, "Food of the Gods": History, Science, and Human Health. Int. J. Environ. Res. Public Health 2019, 16, 4960.
– Soto, A.L et al., Consumption of Chocolate Rich in Flavonoids Decreases Cellular Genotoxicity and Improves Biochemical Parameters of Lipid and Glucose Metabolism. Molecules 2018, 23, 2220.

Sobre a autora

Paola Machado é fisiologista do exercício, formada em educação física modalidade em saúde pela UNIFESP (Universidade Federal de São Paulo), mestre em ciências da saúde (foco em fisiologia do exercício e imunologia) e doutoranda em nutrição pela UNIFESP. É autora do Livro Kilorias - Faça do #projetoverão seu estilo de vida (Editora Benvirá). Atualmente, atua como pesquisadora, desenvolvendo trabalhos científicos sobre obesidade, e tem um canal de desafios (30 Dias com Paola Machado) onde testa a teoria na prática. Também é fundadora do aplicativo aplicativo 12 semanas. CREF: 080213-G | SP

Sobre a coluna

Aqui eu compartilharei conteúdo sobre exercício e alimentação para ajudar você a encontrar o caminho para um estilo de vida mais saudável. Os textos são cientificamente embasados e selecionados da melhor forma possível, sempre para auxiliar no seu bem-estar. Mas, lembre-se: a informação profissional é só o primeiro passo da sua nova jornada. O restante do percurso depende 100% de você e da sua motivação para alcançar seu objetivo.